GENIVALDO ESCAPOU DO MANICÔMIO, MAS NÃO DA CÂMARA DE GÁS

Genivaldo tinha um transtorno mental. Genivaldo era esquizofrênico, segundo nos informam alguns testemunhos do seu drama naquela pequena cidade de Sergipe e confirma sua esposa. No entanto, a esposa lamenta que era Genivaldo que trazia o sustento para casa. Genivaldo andava de moto e tinha os comprimidos para sua doença no bolso, como se fosse mais um documento.

Pelo depoimento de Maria Fabiana, esposa de Genivaldo, sabemos que ele “sempre fez questão do tratamento dele. Sempre fez questão de ir ao médico, de tomar a medicação certinha. Nunca teve problema, tinha uma vida normal. Era uma boa pessoa. Um bom marido, um bom pai, um bom amigo. Nunca fez mal a ninguém”

Mas Genivaldo, que sempre fez tudo certinho, cuidou do seu tratamento, talvez para escapar do manicômio, caiu numa blitz da Polícia Rodoviária Federal porque dirigia a moto sem capacete. O IRÔNICO É QUE AGENTES DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL DÃO PROTEÇÃO AO SUPOSTO PRESIDENTE EM SUAS MOTOCIATAS E O CRETINO NUNCA USA CAPACETE.

Por não mexer com ninguém, talvez não mexessem com ele, passasse despercebido. Mas ali não, faltava-lhe o capacete. Genivaldo foi detido. Talvez tenha esperneado, pois quando os transeuntes começam a filmar a prisão de Genivaldo ele já está jogado no camburão, com as pernas pra fora, tentando resistir, e um policial machuca as pernas de Genivaldo, batendo a porta com força. Vemos claramente quando outro policial puxa o pino de uma granada de gás lacrimogênio e joga no pequeno espaço onde está Genivaldo por entre a fresta da porta não fechada pela resistência da perna de Genivaldo. Logo a fumaça se dispersa no pequeno espaço ocupado pelo corpo de Genivaldo e vaza pela porta que não conseguiu ser fechada pela resistência da machucada perna do Genivaldo.

Isso tudo a luz do dia e com testemunha que protestavam, “o rapaz tem problema”, “vocês vão matar o homem”, mas ninguém interferiu na deliberação dos policiais de manter Genilvaldo à força naquela câmara de gás improvisada. Eram pessoas simples e talvez temessem que se tentassem ajudar Genivaldo seriam arrastados para a câmara de gás também. As comunidades periféricas sabem que não têm direitos. Só deveres.

E logo, o rapaz de 38 anos, que cuidava da sua saúde, que era o provedor da família, tinha esquizofrenia, mas escapara do manicômio, estava morto na câmara de gás móvel da Polícia Rodoviária Federal. Por não está usando um capacete nem nunca tendo participado de uma motociata. Deixa um filho de 7 anos e a esposa desolada. Depois da morte de Genivaldo, a comunidade do local protestou fechando a estrada (sabem que seus direitos são arrancados na força da multidão, já que não os tem individualmente – queimam pneus e gritam contra a autoridade. Um protesto uníssono, onde o todos é um).

Graças as redes sociais, vazou um vídeo de uma aula da AlfaCon – empresa preparatória para concursos públicos – de um curso preparatório para aspirantes da Polícia Rodoviária Federal. E aí tomamos conhecimento, por uma reportagem do DCM, de algo inacreditável: um professor – policial rodoviário federal – descreve em aula para os aspirantes como fazer uma câmara de gás para conter prisioneiro agitados. O professor tem um verdadeiro “gozo orgástico” descrevendo o pavor do prisioneiro indefeso e não se aguentando, rindo a bandeiras desfraldadas comenta: “é bom pra caralho, cara. A pessoa fica mansinha”. Portanto, a câmara de gás móvel que matou Genivaldo é um instrumento de tortura da Polícia Rodoviária Federal.

A tal AlfaCon é conhecida por incentivar a tortura. Foi lá que Eduardo Bolsonaro disse que para fechar o Supremo basta um jipe, um cabo e um soldado. Para quem tiver estômago tem mais vídeos sobre torturas em aulas ministradas pela empresa que deveria ser investigada (link dos vídeos abaixo).

Então estamos num estado de exceção com ilusão democrática nunca visto dantes: essa semana a chacina da Vila Cruzeiro somou 26 mortos em confronto direto com o STF que proibia essas ações. Com o agravante de a polícia culpar o STF pela concentração de bandidos na favela. Queiroz, aquele das rachadinhas, impune e candidato a deputado, diz que o IBOPE dá votos para o barbudo, já o BOPE tira; numa clara manifestação de que a operação tem mais função política tipo SS fascista. Como o professor, Queiróz também ri.

O Presidente do Supremo foi impedido por empresários bolsonaristas de fazer uma palestra em Bento Gonçalves-RS com ameaças à segurança de Fux. Alguém imagina o presidente da Suprema Corte americana sendo impedido de entrar num reduto da Ku-Klux-Kan? E o nosso Supremo acuado por uns fascistas do sul.

Agora ficamos sabendo que essas câmaras de gás móveis, versão moderna das câmaras de gás nazistas, andam na traseira de camburões da PRF.

O problema, já alertou Pedro Aleixo, é que quando o guarda da esquina está autorizado pela presidência, nem Genivaldo – que não tinha nada a ver com o peixe – escapa da truculência. Mesmo com os comprimidos no bolso.   

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Ilustração: Latuff

Para os que tem estômago, os vídeos sobre tortura nos cursos preparatórios da PRF:

4 comentários em “GENIVALDO ESCAPOU DO MANICÔMIO, MAS NÃO DA CÂMARA DE GÁS

  1. É um absurdo os Policiais terem que ser punidos espero que isso não vire uma uma ação política e esquecem do homem que tinha uma deficiência para vira uma manipulação de esquerda contra o Governo.
    Quero ver publicar o,meu comentário

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    1. coelho david é mais um daqueles pulhas que frequentam espaços progressistas para defecar sua opinião fascistóide. não falta só punição a estes assassinos – expulsão dos policiais, qualquer coisa a menos é acinte e pena máxima aplicada conforme código penal – falta punir quem endossa o assassinato de deficiente, sem chance de defesa, por motivo torpe, como o lúcio.

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  2. Ouvindo hoje o pod cast da Piauí que o protagonismo da PRF não é um acaso . Segmento bolsonarista , a polícia rodoviária federal parece que agora está a serviço da repressão violenta policial . No caso de Genivaldo a técnica faz parte da formação destes policiais que assessoram também as intervenções militares nas comunidades . Estamos sim numa espécie de combate ao tráfico e se transformaram agora numa espécie de linha auxiliar da milícia do Rio de Janeiro . O combate aos traficantes cresce em intensidade através destas intervenções e visam derrotar o tráfico porque «  atrapalhariam os negócios » imobiliários dos milicianos, Eis o quadro macabro em que nos encontramos hoje no Brasil de Bolsonaro .

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