É PRECISO ODIAR A DITADURA E SEUS DEFENSORES

O diabo saiu da garrafa no dia em que o Congresso Nacional permitiu, para que o golpe acontecesse, que Jair Messias louvasse Ustra para dar seu voto no impedimento de Dilma Rousseff. Passou-se o pano na apologia à ditadura militar, na exaltação ao mais odiento representante dos porões da tortura e logo caminhamos para a improvável eleição do mais estúpido presidente que essa nação já teve. Diabinhos foram libertados em todas as garrafas dos envergonhados do período mais obscuro, cruento e desumano da nossa história. Os preconceitos guardados das mentes mais miseráveis dessa nação escravagista foram libertos para que o improvável acontecesse.

O processo civilizatório foi interrompido. E para coroar o que o pensamento civilizatório assistia horrorizado, a vontade dos eleitores embarcados em sentimentos misóginos, homofóbicos, machistas, racistas e embalados num conservadorismo oportunista, fundamentalista e malévolo, elegeu o pior congresso que se tem notícia, sendo muito pior do que aquele dos anões do orçamento de triste memória. A bancada da bíblia rasgou as convenções cristãs, transformou os pastores em negociantes de fiéis, que em troca do voto enriquecem com o dinheiro público. A bancada da bala conseguiu armar os canalhas chamados de “homens de bem”, liberou o armamento pesado dos milicianos e favoreceu o crime legalmente. A bancada do boi queimou a Amazônia, desregulamentou a propriedade dos povos originários, fez do agronegócio grileiros da terra e da mineração a contaminação dos rios, dos alimentos e da alma. A bancada dos bancos passou o rodo nos escassos direitos trabalhistas, desempregou os despossuídos, alimentou a esperança de ser empreendedor em quem só consegue ser escravo. Em suma, depois do golpe os pobres perderam tudo enquanto os ricos se resumiram a algumas famílias que concentram toda a riqueza existente.

Os militares, anistiados dos seus crimes, voltaram a esse governo querendo troco do que devem. Nem foram punidos e já negam que foi crime o que desejam fazer de novo em nome de um delírio coletivo do combate de um comunismo inexistente. Se agarraram a cargos no governo e talvez seja muito difícil tentar tirar a boquinhas de componentes de uma instituição que nunca se prestou a nada na história desse país. Mas não se pode esquecer dos crime cometidos na ditadura. Ulisses Guimarães falou do nojo e do ódio que a ditadura devia despertar nos brasileiros. A ordem do dia de um pequeno homem fardado que tem função na defesa da Pátria (pergunte-se qual?), e já se candidatou como vice do verme que nos desgoverna, foi exaltando aquele período de ditadura como um movimento legítimo e democrático. Quanta hipocrisia!

O país, ou o pensamento civilizado que ainda resta, resta também adormecido, anestesiado e a tudo assiste e se cala, não ver no meio da sala o entulho autoritário que só cresce, mesmo nas véspera de uma eleição. Como se por um passe de mágica, ela (a eleição vindoura) resolvesse tudo. Não resolverá e ainda é preciso que ela seja garantida para que aconteça.

Pois bem, o deputado Bananinha zombou da Miriam Leitão. Por ela memorizar que foi deixada nua numa sala escura em companhia de uma cobra, o Banana podre disse que tinha pena da cobra. Cobrado, foi mais além, defendeu Ustra, a ditadura e usou o Gabeira em sua defesa (seria bom que o ex-deputado e guerrilheiro se manifestasse desse uso). E isso não pode ficar assim.

Se permitimos que um bananinha qualquer louve os horrores da ditadura e não lhe aconteça qualquer admoestação de seus pares, estamos em maus lençóis. Não se pode ser tolerante com a intolerância. O pai do Banana e seus capangas milicianos e militares estão dispostos a não aceitarem o resultado de uma eleição democrática. O Banana tinha que ser exemplarmente punido pelos seus pares, pelo Supremo. É preciso que a sociedade fique indignada de ver um Banana contar cadáveres como se fosse troféus que a geração do pai colecionou.

___________________________

Desenho: Máximo

Um comentário em “É PRECISO ODIAR A DITADURA E SEUS DEFENSORES

  1. Tá muito ruim mesmo . Você disse tudo . Vi o discurso do presidente eleito no Chile e, de modo quase infantil , eu quis ser chilena e estar ali comemorando com toda aquela gente! . Fico pensando onde vamos chegar num país onde, depois de tudo que aconteceu na ditadura , é possível um deputado- eleito – fazer a declaração que este verme fez e nada, nada acontecer . Isto diz muito sobre este país que eu não quero aceitar . Porque este país acha perfeitamente razoável que alguém possa fazer piada da tortura ? Que país é este ?

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s