IDEOLOGIA FARMACOLÓGICA

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Bom, frente a uma pandemia cruel, que produz um número de mortes assustador, sem qualquer arsenal terapêutico para enfrenta-la, é natural que apareçam notícias de medicamentos milagrosos – sem qualquer comprovação científica – para amenizar nossa impotência. Foi assim na Gripe Espanhola, na Peste Bubônica e no Cólera, antes de algumas serem reconhecidas como tratáveis nos dias de hoje.

Com o aval da ciência, nenhum protocolo usado para enfrentar a Covid se sustenta. Portanto, é inadmissível que muitos médicos se tornem especialistas, achando que em poucos casos em que apelaram para drogas que aumentam indiretamente a imunidade, atuem contra infecções oportunistas ou usando anti-inflamatórios e corticoides possam ter interrompido a evolução da doença. Até porque a ciência nos ensina que existem caminhos regulamentares com provas e contra provas para que se chegue a um veredito sobre a utilização de determinada droga para ser eficaz contra uma enfermidade.

Além de que as experiências baseadas no “achismo” dos seus defensores não terem validade de que foram elas que interromperam o curso da doença ou se algum outro fator ainda não conhecido. Portanto o uso de medicação na Covid, para deter a evolução da doença, mais está relacionado a crenças do que à ciência. E podem mais apresentar o efeito da fé, como numa oração para quem acredita.

Dito isto, a história nos ensina que na Gripe Espanhola – para falar de uma doença semelhante à Covid, que como uma peste matou mais de que qualquer outra doença ou guerra na face da terra – o uso da Artemisa (planta anti-inflamatória africana que foi entre nós usada contra a Gripe Espanhola), ou do Quinino – usado contra a malária naquele tempo e precursor da Cloraquina – praticamente são repetidos agora contra a Covid.

Ora, agora, visto que o uso da Hidroxicloraquina, que já diminuíram os efeitos colaterais do Quinino e da Cloraquina, ainda apresente contraindicações perigosas, e poucos creem no chá africano, medicamentos para agentes infecciosos como a Nitazoxanida ou a Ivermectina substituíram a Hidroxicloraquina por ter menos efeitos colaterais. Mas o princípio de crença é o mesmo: ajudaria a desenvolver as defesas do organismo para o enfrentamento da Covid.

Um outro adendo é importante frisar aqui: tudo em medicina é absolutamente empírico. É do experimento que se pavimenta o caminho da ciência com suas provas e contraprovas para que se coloque uma droga no mercado com indicação precisa (por menos imprecisa que ainda seja pela idiossincrasia do organismo humano. Portanto é natural que uns respondam melhor à dipirona que o paracetamol ou ao contrário, embora as duas tenham as mesmas indicações).

Então, é natural que médicos que estão na linha de frente apelem para o empirismo experimental de drogas que acreditem fazer algum efeito, antes que a ciência negue, aceite ou modifique estrutura para combater o agente da Covid. E cada um que faça seu protocolo, não querendo impor como um procedimento padrão e certificado. Mais doloroso é perder o paciente por não ter arriscado um tratamento pelo mínimo de crença que tenha.

Os mesmos estudos que hoje afastam a efetividade da Hidroxicloraquina, também afastam efeitos da Ivermectina ou Nitazoxanida. Não podem ser considerados como conclusivos porque o teste in vitro não corresponde nunca à testagem in vivo. Podem não atuar contra o vírus, mas, quem sabe, aumentariam as defesas do organismo vivo. Portanto, criticar a Cloraquina e usar a Ivermectina pode achar diferenças entre os efeitos colaterais de uma e outra. Não nas crenças que as alimentam.

Mas é absurdo politizar a farmacologia e achar que a Hidroxicloraquina é de direita e a Ivermectina de esquerda. Elas se equivalem no efeito que se busca ou na crença. Uma com mais efeitos colaterais que a outra. Não são drogas ideológicas.

 

Um comentário em “IDEOLOGIA FARMACOLÓGICA

  1. Não sou médica caro amigo portanto é difícil pra mim entrar neste debate . Mas só pensando com teorias conspiratórias – coisa que eu acho meio perigoso – poderíamos pensar que a tal cloroquina foi rejeitada por razões médicas . O problema não é a cloroquina eu acho. O problema é o que veio junto com ela que é A estratégia da imunidade de rebanho . Um não veio sem o outro . Acho que essa associação sim colocou a cloroquina neste lugar da direita … e o tal médico da França que usa e defende a cloroquina não é assim muito respeitado por lá também… isto está muito localizado aqui por causa da direita, da falta de Estado na luta contra a epidemia mas não foi um grande debate na maior parte dos países não é ?

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