A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL É BURRA

FaceBurro

Há dias fui comunicado pelo FaceBook que eu estava suspenso, por uma semana, de fazer postagens na minha página. Tal penalidade aconteceu por eu ter “violado regras da comunidade”. Mesmo sem postar, fiquei com acesso ao Face para ver todas as páginas que quisesse, inclusive a minha. Só estava impedido de postagens, tanto no Face quanto no Messenger.

Fuço daqui, fuço dali, encontrei no ícone de “configurações” uma tal de “caixa de entrada de suporte” (repare bem, entrada SEM saída). Ali eles comunicam que você fez uma postagem suspeita e pode contestar. O interessante é que a postagem suspeita, assim como sua contestação é respondida pelo algoritmo da inteligência artificial do FaceBook. Você só pode pedir para revisar, sem dar motivos. Como eu encontrei várias postagens em aberto eu pedi contestação. Numa fui atendido com um pedido de desculpa, em outras não fui atendido sem que me dessem o motivo da negativa. Continuei castigado.

E se tratavam de várias postagens sobre o fascismo. Desenhos da suástica em evidência. Todas charges de artistas com ironias ao símbolo nazista. Em comum elas estavam com a suástica em evidência. Noutra censura um texto também irônico destacava a palavra DITADURA em caixa alta e em letras maiores que a do texto que a condenava. Entendi que eu fora afastado por apologia ao fascismo e à ditadura. A ironia mudara de lado e agora era do FaceBook.

Fui ler as tais “regras da comunidade” e entender das proibições: “Violência e incitação da violência” (um vídeo com a polícia batendo em manifestantes pode ser assim interpretado); “Organizações e indivíduos perigosos” (organizações terroristas e símbolos: aqui a suástica deve ter o mesmo valor do que a foice e o martelo ou a bandeira do Estado Islâmico); “Promoção ou divulgação de crimes” (apelam para o problema da “imitação”, mas está proibido fotos de chacinas, acidentes, etc.); “Coordenação de dados reais” (publicações que possam causar danos a pessoas, empresas  ou animais – aqui não entendi como o algoritmo agiria, sinceramente); “Produtos controlados” (fotos de baseados, por exemplo é proibido); “Fraude e dolo” (venda de produtos, por exemplo?); “Automutilação e suicídio” (compreensível, mas falar pode?); “Nudez infantil e exploração sexual de crianças” (cuidado com a postagens de anjinhos); “Exploração sexual de adultos” (aqui obras de arte podem ser interpretadas); Bullying e assédio (ok).

É claro que todos nós já violamos algumas dessas “regras” e só uns poucos são “castigados”. Aqui o algoritmo deve agir por amostragem e repetição sucessiva do que foi considerado “violação”. No meu caso, depois do caso Alvim, postei muitas suásticas de forma a condenar o fascismo e com charges irônicas. Só que o algoritmo me condenou pelo inverso do que eu estava querendo dizer. Claro, ele não entende de ironias e foi programado para agir conforme as regras explicitadas, de forma burra.

E aí é que mora o meu medo. Não do FaceBook, que isso aqui é apenas uma forma de expressão, cada qual na sua bolha (o algoritmo também se encarrega de separar as bolhas). Mas da tal inteligência artificial.

No futuro a robotização de várias atividades humanas é previsível. Intervenções cirúrgicas por robôs já são realidade, agora imaginem uma justiça robótica. Muitos seriam condenados pelo o inverso de suas ações, segundo demonstra a aplicação do algoritmo do FaceBook. E isso é muito mais perigoso do que uma punição de postagens digitais. Na medicina já constam alguns erros fatais de intervenções por robôs.

Essa inteligência artificial é muito burra para que fiquemos em suas mãos. Todo muito já teve uma experiência irritante com a inteligência artificial do “calls centers”: “disque 1 se for isso, disque 2 se for aquilo” de modo a te levar um bom tempo sem resolver teu problema. Quando a gente fala com um “ser humano” é de um alívio total, mesmo que a moça ou o rapaz não resolvam teu problema.

Fora que a burrice da inteligência artificial pode ser manipulada por espertalhões. Se você leu esse artigo a partir do FaceBook foi porque um amigo meu postou nos grupos que pertenço. Eu estou proibido, mas ele não!

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desenho: Gervásio

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