MARIELLE E O MISTÉRIO DA CASA 58

Casa 58

A apressada apresentação de três procuradoras do MP-RJ para inocentar o presidente da República de ter atendido um telefonema no condomínio onde mora, e a afirmação categórica de que uma perícia prova que o porteiro e seu testemunho no caso são mentirosos, deveriam ser consideradas – no mínimo – suspeitas por uma imprensa isenta. Não foi o caso, deu-se a suspeição por falsa e ponto final.

Mas o caso é envolto em densas nuvens de suspeição. Primeiro, uma das procuradoras fez aberta campanha para Bolsonaro na eleição passada e postou nas redes sociais fotos com camiseta da campanha, frases de apoio e orgulho de trabalhar na campanha política. Depois do anúncio apressado o MP-RJ se reuniu para afastá-la das investigações sobre o assassinato da deputada Marriele Franco e seu motorista, mas parece não ter conseguido. A reunião foi tensa e a procuradora não quer aceitar o afastamento. No exercício da função, o procurador escolhe o caso em que trabalha. A pergunta que fica é porque não foi anteriormente afastada de uma função incompatível com trabalho em campanha política.

Segundo, a perícia no áudio das gravações de condomínio, que deveria ter sido feita desde o momento em que Ronnie Lessa (assassino de Marielle) começou a ser investigado, só foi realizada agora, em tempo recorde de pouco mais de duas horas. E bem depois que o filho do presidente teve acesso as gravações do condomínio. No mínimo haveria a suspeição de que a “prova” podia ter sido maculada. Todas as perguntas feitas pelos procuradores aos peritos não levaram em consideração o interfone (ou celular, já não se sabe) ter sido atendido pelos moradores da casa 58. O interesse era provar que Ronnie Lessa atendeu o chamado da portaria. Por que uma coisa invalidaria a outra se o porteiro viu pelas câmeras de segurança que o carro não se dirigia para onde fora autorizado?  Depois de respondido o segundo chamado à casa 58, poderia ter perfeitamente ter avisado ao novo destinatário da visita. Portanto as duas casas poderiam ter autorizado a visita.

Terceiro, torna-se altamente suspeito e inadequado o MP-RJ vir a público apresentar provas de inocência do presidente. O papel do MP é de acusação, se elas chegam ao presidente que o STF investigue. Os advogados  do presidente que apresentassem a defesa. Qual o sentido de invalidar dois depoimentos do porteiro que afirma ter Queiroz (o motorista que conduziu o carro do assassino de Marielle) dito que ia para a casa 58 (a do presidente) e que  posteriormente – vendo que o carro não foi para a casa de Bolsonaro, mas do seu vizinho Ronnie Lessa – fez outro contato com a casa 58? Como destruir uma afirmação que parece convincente – pelo cuidado posterior – numa perícia feita “a toque de caixa”? Cabem aos usuários das redes sociais fazerem tais questionamentos. A mídia parece ter sido convencida pelos argumentos das procuradoras e o porteiro condenado a ser um inventor de narrativas, mesmo que elas pareçam óbvias. No mínimo o vício de anotar a passagem do visitante para a casa do presidente podia ter provocado o engano – se houve. Afinal o visitante tem fotos nas redes sociais com o presidente em campanha. Nem isso sequer foi aventado.

O presidente pode não ter nenhum envolvimento no episódio. Se for completamente inocente de ter qualquer participação no caso, creio que a apressada defesa das procuradoras o trouxe para uma zona de suspeição. Se inocente foi atrapalhado por uma defesa atabalhoada. As moiçolas foram mais realistas que o rei. Elas foram apressadas em vesti-lo, quando nem poderia estar nu. Do mesmo mal padeceu a Procuradoria Geral da República. Encerra-se um caso apressadamente, ficam as suspeições.

De modo que o mistério ainda ronda a casa 58. Marielle vive na resistência por um país mais justo e contra as milícias que se infiltram no atual governo. O assassinato de Marielle foi tramado por milicianos. Qual a relação desses milicianos com a casa 58 talvez seja um mistério, digno de um romance policial de Agatha Christie e como tal só será revelado no final. E o governo ainda vai fazer um ano dos quatros para o qual foi eleito. E só termina quando terminar. No final ou na travessia.

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