A REFORMA PSIQUIÁTRICA E A PÓS-VERDADE

 

pós-verdade

Na pós-verdade os fatos não importam, mas a informação recorre a crenças e emoções das massas, resultando em opiniões facilmente manipuláveis. Muito mais eficiente que a simples repetição de uma mentira para transformá-la em verdade (usada no nazismo clássico). Nos tempos de fake news a pós-verdade cai como uma luva aos manipuladores de opinião.

Senão como entender que o coveiro da Reforma Psiquiátrica, senhor Quirino Cordeiro Jr. tenha a ousadia de contar mentiras em lugar da verdade?

Estamos retornando aos tempos de medo das masmorras manicomiais, a internação involuntária se afirma no recolhimento dos indesejáveis numa parceria inacreditável entre os que dizem professar a “ciência” e os templos religiosos de crenças medievais. O retorno de um modelo de abandono, de desumanização, condenado há trinta anos está sendo vendido como moderno e nós somos acusados de criar uma desassistência como legado da Reforma. Curiosa inversão: eles destoem o modelo substitutivo ao manicômio e nós é que somos responsáveis pela desassistência. Isso para trazer o retorno do recalcado desejo manicomial desses coveiros da Reforma Psiquiátrica.

Os CAPS (esse dispositivos inventivo de tratar a loucura na comunidade) estão sendo desativados para o retorno do manicômio da idade das trevas. Eles estavam substituindo os leitos desativados. É preciso desativá-los para retornar o manicômio. E essa é a intenção. As Residências Terapeuticas (bem sucedido dispositivo de desinstitucionalização) serão travados na reabilitação das masmorras. As comunidades religiosas cuidarão dos usuários de drogas numa parceria de orações a Jesus e eletrochoques. As psicocirurgias reativarão as lobotomias de outrora. A Redução de Danos, técnica reconhecida mundialmente, é destratada como se fosse estímulo ao uso de droga. O mundo inteiro atesta sua eficácia no tratamento de abuso de substâncias psicoativas. Trazer o passado, que tentamos derrotar com uma luta de mais de trinta anos, é a missão do doutor Quirino usando de desonestidade para criar uma pós-verdade.

Uma volta ao passado de triste memória é tratada como a modernização do tratamento. Horror à volta do manicômio condenado por Nise da Silveira, por Foucoult, por Basaglia.

A pós-verdade vem com orações e Jesus na causa, um oportunismo de uma falsa ciência e o pecado de usar o nome de Deus em vão. Claro que eles esperam que a pós-verdade cresça onde a ignorância faz pasto na desinformação. Não querem uma discussão franca sobre o assunto, mas enganar incautos.

Um comentário em “A REFORMA PSIQUIÁTRICA E A PÓS-VERDADE

  1. Muito bom o seu texto aqui, caro Edmar!!
    E muito próprio ao momento que enfrentamos Fui ver o Coringa, espetáculo o trabalho de Phoenix , ótimo ator para o papel de um louco . A mensagem, igualmente espetacular, -como gosta o cinema americano – me parece ter sido lembrar-nos que não deve deixar o louco andar por ai, ele pode ser um assassino capaz do pior. Assim vamos retornando à verdade medieval, que vai tomando conta das mentes…

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