PAÍS FRATURADO

pais quebrado

Caminhando para a metade de um ano em que não temos governo. Não há quaisquer ações para sairmos desse atoleiro. Nenhuma ação propositiva na área econômica. O desemprego aumenta, a pobreza atinge a maioria dos brasileiros, o comércio fecha as portas, a indústria não produz. O presidente desregulamenta leis para agradar os eleitores, como se já não tivesse sido eleito, mas não favorece em nada a economia. Caminhamos para um encurtamento do PIB, talvez sua negatividade, recessão a vista, possível falência do Estado com consequências gravíssimas.

O governo briga com ele mesmo. Demite militares que não comungam com a loucura de pagar 400 mil mensais para um guru inconsequente fazer um programa de televisão, outro por defender a estatal que dirige – acusado de ser um “sindicalista”, outro ainda por não fazer a Funai se voltar contra os indígenas em favor da invasão de reservas. No BNDES demite competentes executores da política neoliberal que ajudou sua eleição e coloca na direção do banco um pirralho – coleguinha dos seus filhos, com a missão de abrir a “caixa preta” dos empréstimos do PT para Cuba, Venezuela, Angola. Eficiente discurso de campanha, mas sem efeitos práticos agora para a economia voltar a crescer.

O “Posto Ipiranga”, esperança dos rentistas para que o governo acabe com quaisquer resquícios de um estado protetor, mais parece um banqueiro com a preocupação de tirar um trilhão dos trabalhadores para o seu cofre, mas não consegue aprovar a capitalização da previdência – discurso único sem apoio do congresso por pura incompetência política. As emendas que fizeram na reforma (excluindo inclusive a capitalização) pode naufragar o plano de gerar um trilhão pra banca rentista como se quer agora. Como só possui esse plano, pode também ser dispensado por Bolsonaro porque não vai fazer falta.

Resta o quê? Três filhos fazendo uma confusão com um guru enlouquecido reforçando a porção ideológica com Damares num pé de goiaba gritando que a escola ensina bruxaria, Ernesto Araújo para a troça internacional com a tese de que a mudança climática tem um viés ideológico, Sales loteando a Amazônia com risco de prejudicar o próprio agronegócio, Weintraub com a obsessão de destruir a educação pública que produz pesquisa de interesse da economia, Mandetta pondo fim no melhor plano de saúde público do planeta – que é o SUS, Osmar Terra contestando por convicção uma séria pesquisa da Fiocruz (respeitada no mundo, mas não no governo de que faz parte) e fazendo renascer os manicômios condenados em toda parte. E os militares, mais preocupados com a sua folha de pagamento do que com um nacionalismo – que seria a razão da sua profissão. São vendilhões das empresas nacionais – que já foi orgulho de gerações de milicos anteriores, e agora apenas submissos aos americanos numa pequenez sem precedentes. Não têm os paus para fazer uma canoa que sobreviva à tempestade neoliberal do planeta.

Nessa toada, o país acaba muito antes do fim do mandato. E o superministro, garantidor popular do governo está nas mãos de um site americano (ironia do destino) capaz de acabar com a carreira do juiz justiceiro, que foi revelado apenas um falsário que forjou provas e um processo penal para viabilizar a candidatura de Bolsonaro calcada nos fake News.

Mas se o governo derrete nesses nem seis meses inteiros, não se constrói uma unidade oposicionista para enfrentar um caos de consequências imprevisíveis. Ao invés de uma organização unitária em torno das denúncias do Intercept a esquerda se divide na interpretação das intenções do Greenwald. Temos teorias para todos os gostos. Desde a uma ação dos russos e dos chineses para enfrentar a hegemonia americana, até uma ação da CIA para facilitar a disposição das peças no tabuleiro para os americanos. De permeio, os que tentam explicar o “deep stete”, o que seja “hedge” ou “guerra híbrida” para entender as verdadeiras intenções dos vazamentos do The Intercept Brasil.

No meu relacionamento com os botões da camisa preferiria uma unidade oposicionista, aproveitando o excelente trabalho do pessoal do Grenn Greenwald em desnudar o Marreco de Maringá e o pequeno Daltan – numa trama já suspeitada por todos nós da esquerda há muito tempo, para organizar um enfrentamento ao caos que nos atinge.  E não só a esquerda está paralisada, a direita está deixando o país nas mãos dos urubus financeiros com a destruição do capitalismo do país. O que é muito grave. Em breve seremos um país em ruínas.

Bolsonaro continua desregulamentando tudo para destruir o que foi construído até hoje com muito custo.

P.S. em risos- Confesso aqui, que mesmo com o país em frangalhos, eu não posso deixar de concordar sorrateiramente com uma desregulamentação: a da tomada de três pinos por motivos óbvios! Mas acho que Bossonaro pode facilitar a tomada de um pino para enfiar no fiofó.

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desenho: Gervásio

3 comentários em “PAÍS FRATURADO

  1. É um doente maligno. Destruindo a maioria das coisas só porque foram construídas, grande parte, pelo PT. Sejam as mais absurdas, como a tomada de 3 pinos, como outras de grande importância como FIES, Reservas Indígenas, etc.

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  2. Não deve ser só da esquerda agora tomar partido pela situação como a salvadora da pátria, mas sim uma frente oposicionista – como você escreveu – de brasileiros com a ajuda de forças democráticas internacionais que não deixarão que o Brasil se desmorone.

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