O “MENOS MÉDICO” OU O MÉDICO DE FAZ DE CONTA E A TRAMA DE UMA SEGUNDA INTENÇÃO

 

PT e justiça

As folhas comemoram que as vagas deixadas pelos cubanos do Programa “Mais Médicos” já estão quase todas preenchidas por médicos brasileiros que se candidataram para a substituição dos que saíram. Isso demostraria a pretensa preferência dos governos do PT pelos cubanos em detrimento de nossos médicos disponíveis e com melhor formação, festeja a mídia e as redes sociais.

Do meu ponto de vista há uma segunda intenção política que abordarei após a sequência do raciocínio. Acompanhe:

Primeiro, a opção pelos cubanos foi fixar o médico social na comunidade que ele atende, com sua formação em atenção básica e medicina de família, que resolve entre oitenta a noventa por cento dos casos que, não tratados, chegariam ao hospital em complicações. A formação desses médicos é feita para o controle de diabetes, hipertensão, tuberculose, doenças infectocontagiosas alimentares ou vetoriais, vacinação, puericultura, obstetrícia, prevenção de doenças futuras e complicações. A sua formação é em atenção básica funcionando mais como um anteparo que uma porta ao sistema hospitalar secundário ou terciário. Nós estamos formando esses médicos comunitários agora e a deficiência deles é ainda muito grande.

A nossa formação médica sempre foi elitista e especialista, e em confronto com a proposta do Sistema Único de Saúde, principalmente na implantação de uma medicina de família e comunitária. E a formação médica de seis anos garante a atuação em qualquer área (o que é um absurdo e só é percebida pelos mortais quando a imperícia do doutor frequenta as páginas policiais). E, certamente, por um salário atraente teremos médicos especialistas na atenção básica, DESDE QUE o doutor não tenha a carga horária exclusiva, nem residir no município em que atuará. Portanto, ele não conhecerá a comunidade e atuará por demanda de doenças e não na prevenção.

Teremos médicos de duas vezes por semana na periferia, uma só vez por semana nas cidades próximas, uma vez por mês nos grotões e comunidades isoladas. O preenchimento das vagas, desse modo, não substituirá o modelo cubano e agravará a saúde da população mais pobre.

Então, na primeira intenção, teremos um modelo de faz-de-conta, parecendo que há real cobertura. Entretanto a resposta dada de imediato como satisfatória, festejada por uma mídia irresponsável que desinforma, esconde a segunda intenção, que já desponta em articulistas da grande imprensa e no discurso do governo eleito, se soubermos ler.

Trata-se de mostrar que o “Mais Médico” servia como fachada para financiar a ditadura comunista de Cuba. Merval – esse assessor de imprensa do governo eleito –, alguns articulistas de jornais e âncoras da TV já fazem análises nesse sentido. Circula no Whats App uma denúncia assinados por médicos que se dizem preteridos pelos cubanos, anteriormente, e pedem uma CPI parlamentar para avaliar o “Mais Médicos”. Parêntese: entre as assinaturas desse documento denúncia consta a assinatura de um Henrique Mandetta, que lembra um parentesco com o indicado para o Ministério da Saúde.

Não se tratando de um fake news, tão comum hoje em dia, a denúncia e os artigos dos articulistas podem fazer parte de um cenário para provocar a criminalização do PT no governo. Pode ser um primeiro passo para – usando a legislação atual – colocar aquele partido na ilegalidade. Afinal, Moro é a justiça agora e Lula mofa na prisão sem provas concludentes. É preciso que os democratas estejam atentos aos movimentos de um governo, cujo candidato prometeu expulsar ou prender a oposição de esquerda. Estamos caminhando a passos largos para um estado de exceção, muito mais autoritário e intolerante que o atual.

E essa disputa política esconde um Programa Faz-de-Conta ou “Menos Médicos” que deixará a população desassistida e com saudade dos médicos cubanos. Apesar de a mídia tentar tornar verdade uma mentira.

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desenho: Dino Alves

5 comentários em “O “MENOS MÉDICO” OU O MÉDICO DE FAZ DE CONTA E A TRAMA DE UMA SEGUNDA INTENÇÃO

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