2018, O ANO QUE NÃO VAI TERMINAR

 

2018

O prefeito do Rio demitiu 1400 terceirizados na saúde e liquidou com mais de 200 equipes das Clínicas da Família. O pastor pode não ter lido Maquiavel, mas de uma vez destruiu a saúde pública na atenção básica e já facilitou a maldade de seu aliado no Planalto, que ainda vai tomar posse. Não só atente a PEC da maldade, com vai além.

Bolsonaro indica três ladrões em cargos de primeiro escalão, um astronauta que se perdeu no espaço e foi condecorado por Lula, um juiz justiceiro – que recebeu sua recompensa por ter preso o oponente do futuro presidente e que poderia ter ganhado as eleições. Não foi pela corrupção, tá certo?

A proposta da Reforma da Previdência – que o futuro presidente quer ver aprovada ainda nesse governo – marcha cruelmente contra a população: não aposenta homens no campo, passa de quinze para vinte e cinco anos a comprovação de efetivo trabalho, aumenta a idade pra não deixar muitos se aposentarem, planeja matar famílias de classe média se um dos cônjuges morrer (o cônjuge que teimou em ficar vivo só recebe do falecido uma pensão igual ao teto de dois salários mínimos). Propõe-se acabar com a previdência pública em poucos anos e quem quiser que faça títulos de capitalização para não morrer de fome na velhice. Afinal de contas, a gente nem pensa que vai ficar velho mesmo!

Já foi anunciada uma nova carteira de trabalho (verde-amarela) para o trabalhador “optar” por ficar sem direitos trabalhistas, aceitar a escravidão e não ferir a proteção constitucional da carteira de trabalho azul. Afinal é uma “opção” de o trabalhador aceitar ficar sem direitos – ou não terá emprego. Ele tinha dito na campanha: ou os direitos trabalhistas ou o emprego, as duas coisas não pode. E eu pensei que tinha de mudar a constituição. Não precisa. É só oferecer nova carteira de trabalho verde-amarela em “opção” à azul.

Vota-se a toque de caixa o projeto de uma “escola sem partido”. Isto significa tirar o viés ideológico, ou seja, negar a evolução da história. Afinal, se se ensina Darwin, concomitantemente, com o mesmo peso, ensina-se o criacionismo. Enfim, um macaco não pode discordar da bíblia sagrada. Nesse mesmo diapasão, a Revolução Francesa foi uma revolta que não pode impor uma igualdade, liberdade e fraternidade quando no velho testamento Deus estabeleceu a escravidão, a obediência às leis, o lugar da mulher e o papel do homem (sem viadagem, por favor!). O golpe militar de 1964 foi apenas um movimento em armas, como falou o presidente do Supremo, com tudo. Nas ciências exatas pode ser revogada a lei da gravidade e a terra plana é apenas uma questão de ponto de vista. Sem viés ideológico, porra!

A lei antiterrorista (infeliz ideia da Dilma pra vender segurança na Copa e Olimpíadas) já está sendo aperfeiçoada para punir crimes de opinião, nossa bandeira nunca será vermelha, vai pra Cuba, bolivariano!, os vermelhos devem deixar o país ou irem para a prisão fazer companhia ao cachaceiro, já disse o mito na avenida Paulista.

Privatize-se tudo, da exploração de petróleo (que as minas FHC já fizera) aos bancos públicos, empresas de energia, privatiza-se a segurança nacional e já se vota agora no senado a privatização do saneamento e da água. Da nossa água toda, como a nestlê já secou os poços de São Lourenço, ou, como dizia o finado Saramago “privatize-se a puta que os pariu”.

Se o símbolo da campanha foi dar armas ao cidadão de bem, o governador eleito do Rio propõe abater quem estiver armado na comunidade (pressupondo que lá não existe cidadão de bem). Afrontando a constituição, o juiz governador propõe atirar só na cabecinha dos meliantes. O juiz decretou a pena de morte por simples abate.

O presidente eleito prometeu respeitar a constituição no jornal nacional com “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, já desrespeitando a carta magna que consagrou a laicidade do Estado. Um detalhe apenas! Terminaremos numa república talibã evangélica batizada no rio Jordão. Não é muita confusão?

Não, o ano não vai terminar. Nas festas de Natal o Papai Noel veste verde e amarelo, nosso Papai Noel nunca será vermelho nem anda acompanhado de viadinhos no trenó. E não teremos réveillon, pois o ano não termina. 2018 só está começando um pesadelo que não tem data para acabar. Talvez voltaremos a sessenta e quatro.

Hoje é um dia de finados onde querem enterrar nossos sonhos. Como disse o poeta triste, “a guerra acabou / quem perdeu agradeça a quem ganhou”. Entretanto, não deixe que enterrem nossos sonhos: “resista, criatura!”

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desenho: Dino Alves

3 comentários em “2018, O ANO QUE NÃO VAI TERMINAR

  1. É isto mesmo como você disse . Entre as questões que me atormentam, meu amigo, uma, talvez a principal agora é onde vou buscar refúgio no sentido de proteção de tanta bestialidade, que me perdoem as bestas… como foi que chegamos aqui ??????

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