A SERPENTE DO FASCISMO JÁ PASSEIA ENTRE NÓS

tanques

A TV colocou no ar uma discussão sobre “eleições e o papel dos militares” (Painel, Globo News, dia 15/09: Renata Lo Prete entrevista o General de Brigada reformado Rocha Paiva, José Carlos Dias, ex-ministro e membro da Comissão da Verdade e Vanderlei Messias, um “uspiano especialista” em Defesa e Segurança).

O tema do debate foi provocado pela atual participação dos militares nessa eleição a partir das declarações de “autogolpe” e “constituinte sem eleição” (General Mourão, vice de Bolsonaro, candidato a presidente); “o resultado da eleição pode carecer de legitimidade e vir a ser questionado” (declaração do Comandante do Exército); e o “interesse” militar em torno dessas eleições (desculpa “oficial” da entrevistadora para o programa). Os debatedores fizeram declarações sobre o momento crítico em que estamos. E as revelações são assustadoras.

O General reformado Rocha Paiva se comportou como um porta-voz do pensamento dos militares, o especialista “uspiano” tentava botar panos quentes para tornar palatável o pensamento do militar e o ex-ministro, nas cordas, não conseguia explicar satisfatoriamente a “unilateralidade” – na concepção discordante dos outros dois – no trabalho da Comissão da Verdade. Entretanto, o que parecia uma confusão na mesa desigual foi se revelando com clareza a situação periclitante em que nos encontramos. Mesmo aos que não tem estômago, indico o necessário sacrifício em assistir a discussão – até os momentos finais, com revelações espantosas –, cujo link segue abaixo.

Parece que o nosso tropeço na evolução da tênue democracia conquistada se deve a duas decisões em que foram evitadas as necessárias radicalizações para que o regime ditatorial dos militares fosse enterrado de vez, como fizeram Chile, Argentina e Uruguai: a punição exemplar dos torturadores e criminosos do regime militar; a renovação dos quadros militares para que não defendessem valores do regime militar na democracia. Deixamos que o ovo da serpente chocasse para que o fascismo se arrastasse entre nós comendo a liberdade democrática perigosamente.

Pelas declarações dos militares podemos perceber que eles aceitam a ditadura implantada pelo voto, o que facilitaria muito a volta do regime militar disfarçado, ou já preparam um clima para contestar um resultado das urnas que não lhe sejam favoráveis e facilmente levantar a quase metade dos votantes, numa nação dividida, para que também o golpe seja palatável.

O representante do pensamento militar foi muito claro: contesta o resultado da Comissão da Verdade, que “ousou” inferir culpa do lado do regime, mas – segundo sua afirmativa absurda – deixou alguns atentados contra os militares impunes. Não aceitam o PT, porque o problema não é Haddad, mas os quadros comunistas que ocupam espaços num governo petista para uma revolução “gramsista” (sic). Citou Dirceu, Garcia e Pomar como representante desses “terroristas” em atividade.

O que se pode deduzir do pensamento militar é que eles não “engoliram” a Comissão da Verdade, pois ainda querem uma reparação de suas “perdas” e não aceitam a “impunidade” dos comunistas. Esse pensamento é fruto de uma “anistia ampla, geral e irrestrita” que equivocadamente perdoou a vítima e o algoz. Um erro lá atrás que pode nos custar caro agora.

Por outro lado, a mentalidade militar de hoje é a mesma da ditadura que ainda cultiva um agora fantasma de um comunismo (já derrotado por ele mesmo), como se ainda estivéssemos no tempo da guerra fria. Grudar a pecha de comunistas às esquerdas democráticas de hoje é tentar voltar a uma ditadura com a desculpa de outra que não mais existe. Dar vida a esse fantasma foi um trabalho da direita – financiada pelo Instituto Milenium – que misturou cubanos com bolivarianos e corrupção para inventar um petralha. O problema é que o fantasma ainda assusta.

Anacronismo? Pela anomia que vivenciamos hoje – parlamento corrupto sem legitimidade; executivo fraco e corrompido até a medula; judiciário politizado, governando por interpretação da lei e distante da sociedade – o capital, verdadeiro patrão dos poderes instituídos, flerta com esse delírio militar que não foi eliminado necessariamente para a consolidação democrática. A elite pode estar flertando com esse anacronismo.

É necessário que a mobilização das massas se faça em torno da defesa da democracia não em torno de um candidato. Os candidatos de centro-esquerda que não foram capazes de se unir no primeiro turno, para derrotar a intolerância, devem juntar forças desde o segundo turno, com mobilização das massas, para garantir um governo – em caso de vitória nas urnas.

Difícil saber agora se teremos força para enfrentar o monstro que deixamos crescer.

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link para o programa citado: Globo News

desenho: Dino Alves

 

 

2 comentários em “A SERPENTE DO FASCISMO JÁ PASSEIA ENTRE NÓS

  1. Tomei antes uma cápsula de bromoprida e assisti o programa aqui comentado. A antecâmara do golpe estava lá instalada, ou melhor, a casamata do golpe, dentro do golpe, dentro do golpe… A Lo Prete, depois da Miriam Lei Tão, mostra um serviço de primeira, bem sabem lamber as botas do patrão. Sabemos de cor: a direitona não ganha eleição, ela dá golpe! A elite golpista-de-plantão-midiático-jurídico-parlamentar tentou de tudo: Aécio, Temer, Maia, Alckmin, Marina… Não deu… quanto ao Coiso, a GLOEBBELS, que segura o timão da nau-sem-rumo, o tem no bolso do colete. Mas sabem que deve perder para o Haddad no 2º turno, o qual, tudo indica, sairá vencedor e terá o timão da nau-com-rumo-certo sob o seu domínio. Eles sabem disso. Eles têm pesquisas pra publicar, como também conhecem as verdadeiras (mas claro, são apenas pesquisas). Essa nau terá a missão de unir a centro-esquerda em torno do Haddad para abater o Coiso. Então… o Coiso não está garantido. Está na cara que estão se borrando de medo. Para garantir, mesmo, o sucesso do novo golpe, não pode haver mais erros. Porra! São 20 anos levando bola nas costas. “Mesmo com esse pau-de-arara preso por nós, vamos perder a eleição de novo! Não!” Assim, a “Vênus Prateada” precisa ter certeza de que não vai mais voltar pra suas bases de mãos abanando. Ahááá´! Lançam mão, agora pra valer, de uma aliança com os gorilas-verdes-oliva. Só que eu acho que a milicada não tem culhão de entrar novamente nessa aventura, apesar do ovo da serpente já ter sido chocado… Mas, não devemos dormir de touca, não dá pra desprezar totalmente essa hipótese cravada na ponta da baioneta deles. Mas quando eu enxergo a desmobilização das ruas… Aí começa a dar aquele frio na barriga. De novo!…

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