TERRORISMO DE ESTADO: UMA GUERRA DE EXTERMÍNIO

Rio

Duas cenas chocantes frequentaram as redes sociais, mas nem uma palavra na mídia: (1) A entrada de uma viatura policial numa comunidade, quase atropelando moradores, e seus ocupantes “escrachando” simples transeuntes, como se todos fossem bandidos; (2) Corpos amontoados em quantidade, quase todos com as mãos amarrados às costas com indícios de execução sumária.

Há denuncias de ocupação de militares em comunidades com invasão de domicílios e revistas a moradores – inclusive a mulheres e crianças – sem descriminação e mandato. Em nota em que destaca a intervenção militar no Complexo do Alemão, Penha e Maré o Instituto Raízes em Movimento denuncia: “Proibiram centenas de trabalhadores mototaxistas de trabalharem, alegando que entre eles existem alguns com associação ao varejo de drogas. Mataram e prenderam jovens, boa parte menores de idade e a maioria esmagadora pretos e pobres. Estão isolados, não há detalhamento do que foi feito, não há informações sobre autópsias dos corpos assassinados. Há relatos de mortes por facadas. Se não for verdade, que se abra espaços para acompanhamentos para emergir o que realmente aconteceu”.     

O que surpreende é a omissão dos órgãos de comunicação a essa matança generalizada e o silêncio que expressa o consentimento de moradores do asfalto, quando não a exaltação doentia de um fascismo a que estamos nos acostumando. O constrangimento parece ser, agora, dos muito poucos que ousam denunciar o abuso da segurança pública.

A intervenção federal no Rio de Janeiro apenas ampliou o despreparo da segurança pública na chamada “guerra às drogas”, que trata os moradores das comunidades carentes como inimigos e presumíveis traficantes. Ainda segundo a nota do Instituto Raízes em Movimento, “nas favelas não há presunção de inocência, são todos culpados, até que provem ao contrário”.

A intervenção federal no Rio de Janeira pratica um terrorismo de Estado contra a população das favelas. Calar a essa situação nos torna cúmplices desse Estado terrorista. É preciso que levantemos a nossa voz, aqueles que combatem o fascismo, para contrapormos argumentos contra essa forma de combater o crime que eles chamam de organizado. O que não se quer ver, com a cumplicidade dos órgãos de comunicação, é que a segurança pública foi militarizada e organizada para invadir o território do inimigo – na suposição de que todos são bandidos – numa tática de guerra que está aniquilando os jovens moradores das favelas. Na Maré, no Complexo do Alemão, nas comunidades da Penha mães choram seus filhos e a violência tomou conta das vidas que habitam esses territórios esquecidos da cidade partida.

A implantação das UPPs (uma tal Polícia Pacificadora aqui no Rio) forçou o convívio do indesejado policial na comunidade – testemunhei na favela de Manguinhos essa convivência forçada – e possibilitou a construção de um inimigo que precisava ser exterminado. A Intervenção Militar submissa a essa construção de território inimigo só reforçou a truculência policial. O que agora pode está acontecendo é o desaparecimento de suspeitos como ocorreu na ditadura militar. Muito grave a notícia da matança indiscriminada nessas comunidades.

É preciso parar o extermínio de jovens pobres, pardos e pretos da periferia. E das balas perdidas, num território em confronto, que também vitimam velhos e mulheres. É preciso um basta!

 

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desenho: Dino Alves

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