SAÚDE PROGRAMADA PARA MATAR

sAUDE

A FOLHA DE SÃO PAULO de ontem noticia que o abastecimento de vacinas “antimeningite C” no SUS está em situação “critica”. O problema na distribuição começou em abril (58%), chegando a 10% em maio. E não se normalizou. Em junho só chegou 15% do previsto e hoje estamos com um estoque nacional de apenas 36% da necessidade.

A maior emergência da América Latina (o Hospital Sousa Aguiar no Rio) só está internando quadros muitos graves, encaminhando os de menos gravidade a outros hospitais. Na zona oeste, o Hospital Pedro II, mais uma vez, deixa de fazer atendimentos. Não é diferente Brasil a dentro.

Algumas Clínicas de Família interromperam suas atividades por falta de pagamento às famigeradas Organizações Sociais que alegam não recebem repasses. O programa sofre por falta de recursos em todo país.

As três situações mostram que o SUS foi atacado em todas as funções: na prevenção de doenças, no seu cuidado, na recuperação e nas inevitáveis situações de emergência. Em todo o país a saúde, apesar das deficiências nunca sanadas, prestava uma assistência no limite. Mas a quebra desse limite, deliberadamente pela suspensão das políticas públicas do desgoverno atual, provocará uma situação de calamidade inimaginável.

Dados atuais mostram um aumento considerável na mortalidade materno-infantil, que estava sob controle. A descontinuidade do eficaz controle da diabetes e hipertensão, pelos programas de saúde da família, aumentará a mutilação por amputações e sequelas graves de Acidentes Vasculares Cerebrais. O tratamento do câncer e de doenças degenerativas que já tinha chegado aos bolsões de pobreza está sendo interrompido e será refletido na piora dos indicadores de saúde. O conjunto desses fatores diminuirá a expectativa de vida do brasileiro refletindo numa baixa do nosso IDH.

Por ora, essa catástrofe ainda não chegou à classe média, que ajudou a dar o golpe e acha que pertence à classe dominante por ainda ter seus caros planos de saúde. Doce ilusão. Os planos de saúde estão brigando para terem franquia (à moda dos seguros de carro), diversificação de planos diminuindo a cobertura e liberdade de mercado para os reajustes, antes contidos por ação do governo. Não custa lembrar que a agência reguladora dos planos de saúde foi entregue a representantes desses mesmos planos.

A franquia fará a diminuição da utilização de consultas e exames, deixando as doenças evoluírem para quadros muito mais graves. A diminuição da cobertura encaminhará os quadros mais graves para o SUS, aumentando uma demanda que ele já não suporta. A liberdade de mercado tirará os menos favorecidos (e que mais adoecem) dos planos privados. Afinal, para os planos de saúde o bom cliente é o que não tem doenças. Se conseguirem a liberdade para aumentar os planos dos idosos transferirá estes – próximos à morte – para as portas do SUS, que já se fecham. Capitalismo, irmão, é isso!

O irônico de tudo isso é que a classe média, que não queria ser misturada aos pobres e reclamava até de que aeroportos pareciam rodoviárias no passado, terão a companhia desses indesejáveis na fila do SUS e nas rodoviárias, já que as passagem aéreas voltaram a encarecer também.

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desenho: Dino Alves

2 comentários em “SAÚDE PROGRAMADA PARA MATAR

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