GREVES & PANELAS NA PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS POR PEDRO PARENTE

 

cozinha bomba edmar (1)

O inesperado era que não houvesse greve. Impossível suportar os preços de combustíveis atrelados a commodities ditadas pelos interesses do mercado de petróleo. Ainda mais quando a economia patina e o dólar sobe. Produzimos petróleo e refinamos os seus derivados a preços nacionais. Não estamos nem falando em subsídios praticados no governo passado. Mas se podemos ter um preço menor que o ditado pelo mercado, não tem sentido atender apenas aos ganhos dos acionistas da empresa em prejuízo de toda sociedade. Essa é a razão de uma empresa nacional e de sua função social.

Portanto sem a mudança da política de preços da Petrobrás não há qualquer acordo que possa satisfazer aos grevistas. É um paliativo que não se sustenta em médio prazo e de custo altíssimo para a sociedade se tivermos que ressarcir à Petrobrás para manter sua política empresarial. Nesse acordo que tivemos agora teremos, entre outros cortes, uma mordida nos recursos do SUS, apesar do perverso congelamento do orçamento por 20 anos. Arcaremos com mais mortes nos hospitais para sustentar o lucro dos acionistas da empresa? É correta essa conta? Atendemos os caminhoneiros por sessenta dias apenas, aumentado o índice de mortalidade e desatendimento no SUS, entre os outros cortes do orçamento para manter a política de preços da Petrobrás. É não só absurdo como imoral fechar a conta dessa forma.

A forma de resolução da greve dos caminhoneiros e dos petroleiros é extremamente prejudicial para a sociedade. Na mágica de tirar impostos daqui e dali, haverá cortes. Programas sociais e políticas públicas, especialmente as voltadas para saúde e educação, estão entre os afetados. Dentro das políticas públicas haverá também cortes na segurança, terror maior da classe média que quer sua gasolina mais barata.

Parente pede demissão insatisfeito e desconfiado que o governo atrasaria o ressarcimento combinado. Para essa gente a saúde financeira dos acionistas da empresa é muito mais importante que a saúde e educação de sua gente. Porque para eles é por cima dessa gente, é moendo a carne dos pobres, que se faz o lucro do mercado.

Se o remédio é amargo, a doença é incurável. Depois da trégua dos sessenta dias, os preços tendem a disparar novamente. Ou se aproveita a queda de Parente para mudar o rumo da prosa que comanda os lucros dos acionistas da Petrobrás ou teremos, inevitavelmente, mais greves. Essa política não se sustenta.

Temer está assustado. A mordida que os coxinhas sofreram na gasolina fez o barulho das panelas voltarem às varandas da classe média novamente.

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desenho: Tom +

3 comentários em “GREVES & PANELAS NA PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS POR PEDRO PARENTE

  1. Gostei do artigo. O governo golpista balançou, mas não caiu. Também… o psicopata que se diz presidente foi “iluminado por Deus”…

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  2. Excelente comentário! A única coisa a ser acrescentada é que a solução não está em mais impostos, cortes na Saúde ou na Educação, mas na diminuição dos privilégios e, também, dos privilegiados.

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  3. bacana

    cada vez melhor

    o final do texto um luxo

    lhe mandei um texto meu obre a greve dos caminhoneiros?

    bom final de semana

    abraços

    chico

    aqui WD já vendeu o albertão, o verdão, a agespisa, a ceasa {por 30 anos] e agora

    vai vender sete imóveis “do patrimônio do Estado” por R$300 milhões…

    são as tais ppp, que é outro nome mais refinado pra privatização…

    ________________________________

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