O QUE VIRÁ NO DIA SEGUINTE DA INTERVENÇÃO MILITAR NO RIO?  

 

intervenção do milton

“É um salto triplo sem rede. Não dá para errar”.

Rodrigo Maia.

 

Proposta a intervenção militar no Rio, o garoto mimado dos Maias primeiro protestou porque não foi convidado para a tramoia. Depois percebeu, por sua lenta compreensão da realidade, que estavam enterrando seu trunfo político de engavetar a reforma da previdência e passar por bom menino. Viu que Temer, não tendo os votos para aprovar a reforma, mudou de tática – tentando com uma medida extrema – diminuir seus índices de rejeição e angariar apoio de uma classe média amedrontada. Mas, só ai reduzindo a marcha da concordância e sem tempo de engatar uma ré, o menino Maia pensou alto num ato falho “Se ela (intervenção) não der certo, o que significará o dia seguinte?

E não temos como não concordar com o menino bobo dessa vez. Um erro no salto triplo sem rede pode enfermar seriamente ou matar de vez a democracia. Não se entrega sem riscos o mais importante estado da federação, depois de um carnaval com jeito de manifestação, a um milico com riscos de ele gostar de voltar ao poder. Num momento que tem quase uma invasão americana à Venezuela, colocando em risco a estabilidade da América latina. Pelo menos, um estado de exceção – mesmo que com o disfarce da constitucionalidade e o risco de guerra na fronteira – pode tentar adiar as eleições desse ano. Se não formos também solicitados a intervir militarmente na guerra.

Colocar nas mãos de milicos a segurança do Rio de Janeiro – e como estamos inseguros! – sobra para todos os lados e pode tomar o poder de fato de um débil governador e um prefeito com mais vontade de rezar do que governar a cidade. O ir e vir nesta cidade faz parte do seu funcionamento. Não teremos mais protestos (tem um marcado para segunda agora), os pobres e negros serão impedidos de chegarem à cidade turística e a classe média raivosa aplaudirá a disciplina pelas armas das comunidades carentes. Muito próximos a uma ditadura ficaremos.

Isolados por ora, mas como sempre foi caixa de ressonância, o Rio aplaudindo o controle da violência contra a zona sul – ao custo do aumento da violência nas periferias – pode levantar um apoio da direita para que esse estado de exceção se estenda até a uma normalidade que nunca virá. Daí a incógnita do “dia seguinte” ter escapado pela boca do menino bobalhão dos Maias.

É que na sua bobice ele deixa escapar que os poderes desse país estão geridos por suspeitos de maus feitos – como no caso dele, de Temer, do presidente do senado, do governador, do prefeito, do gato angorá conselheiro, chegando ao judiciário – e um clamor popular pode, de fato, criminalizar toda a política por um governo militar provisório, que de outra vez durou trinta anos.

Não quero aqui contribuir para teorias conspiratórias, o enredo pode não se desenrolar assim e espero estar totalmente enganado.

A espada dos milicos pousará sobre nossas cabeças e o estado de exceção, mesmo sem maiores consequências aqui aventadas, pode simular uma ditadura com adiamento das eleições e o complemento do desmonte do estado como quer a elite.

Aqui fica só o medo do Rodrigo Maia de ser preso e o meu da ditadura. Tomara que essa crônica de ficção não se transforme em análise política.

 

 

4 comentários em “O QUE VIRÁ NO DIA SEGUINTE DA INTERVENÇÃO MILITAR NO RIO?  

  1. Bem, eu não acho ficção esse artigo. Quando fiz a charge estava pensando exatamente no desdobramento bárbaro dessa intervenção. Temer (Vampirão), depois da explosão popular da Tuiuti, tem cravada no peito uma estaca, representada por todos as pesadas críticas que expuseram as vísceras do seu espúrio governo. O temerudo canalha
    quer mostrar serviço pra classe média, teleguiada pela Casa Grande, impondo uma intervenção militar no Rio, ora vejam só. Pra mim, muitos esses assaltos relâmpagos são plantados pelo próprio governo, pra burguesia ficar com o cu na mão, e nós, com uma estaca enfiada no cu pelos milicos!

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  2. Pois é, seu Edmar, nos armaram uma arapuca. Uma sinuca de bico. Um menino retardado, ambicioso pelo governo do estado, nos obriga a dar- lhe razão. O dia seguinte chegou com a intervenção na segurança pública. Do
    tambor carioca para golpe militar, de imprevisíveis comsequencias, um passo. Meninos, relembrem 64 e o breu de 68.

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  3. Prezado Milton, eu concordo com você! Não acho ficção esse artigo e
    também não duvido que esses assaltos foram plantados pela própria liderança sacripanta que está aí no poder. O sacripanta Mor está só fazendo suas entregas… Viveremos tempos difíceis…

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  4. Boa noite! O texto e inteligente e descortina uma conjectura politica interessante e possivel em razao da classe politica brasileira. Ao que parece,a intervencao militar ocorrera ainda nesse ano. O povo brasileiro e cada vez fantasioso porque acredita somente em solucoes faceis. E lamento a ENORME falta de coerencia de muitos ditos CRISTAOS que apoiam todas as iniciativas violentas do Estado, inclusive, penas de morte e perpetua. CADE A COERENCIA? CRISTAOS! AMEM O PROXIMO COMO A TI MESMO. Fora da caridade nao ha salvacao!!!

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