DROGA DE MÍDIA QUE CAVA NOTÍCIAS QUE SÃO MENTIRAS

tatu

Impressiona uma guerra sem tréguas aos varejistas do tráfico de drogas e a paralisação das investigações sobre os atacadistas, como no caso do Helicoca! Que até somos proibidos de assim chamar a apreensão de um helicóptero abarrotado de cocaína, propriedade de um deputado amigo de um senador, onde ninguém foi preso (o piloto foi solto quase imediatamente) e a investigação abortada.

E a droga dessa mídia sequer questiona essa contradição.

Vou repetir o que já disse de outras vezes: imaginemos que a cerveja e o tabaco fossem drogas ilegais. Estaríamos combatendo o dono do botequim, apreendendo cervejas e cigarros estocados para a distribuição no varejo, mas deixaríamos intocáveis o fabricante e o distribuidor de cervejas e tabaco. E quantos donos de botequim fossem eliminados nessa guerra idiota, outros apareceriam imediatamente para substituí-los. Bastaria que o fabricante e o distribuidor continuassem fornecendo o produto.

E para impedírmos o consumo da droga – na justificativa de que a droga mata – matamos muito mais nessa guerra imbecil, inclusive os moradores do território onde a guerra acontece, que, em muitas vezes, nem usam ou vendem o produto proibido.

O combate ao varejo bem que poderia ser de ações de inteligência. A mídia mostra a casa luxuosa do Rogério 157 no alto da Rocinha. Como para confundir varejista com o atacadista (só que esses moram em apartamentos de luxo, na Barra e na zona Sul. Não na favela). Pergunta banal nunca feita por quem devia informar: como pode subir por vielas íngremes e/ou tortuosas as geladeiras duplex, blindex para sauna, TVs de 60 polegadas, armários e cozinhas sob medidas para grã-finos? Uma observação de inteligência não poderia ter notado essa movimentação?  As UPPs só respondem ou provocam os tiros, não têm uma relação de proteção às comunidades em que atuam. Aí, quando conquistam o território, considerado absurdamente como inimigo, descobrem a mansão do varejista, que toda a comunidade sabia da existência. E revelam ao telespectador do asfalto como um trunfo de conquista no território inimigo. E assim provocam uma falsa guerra com vítimas de verdade.

Nunca um laboratório foi encontrado numa favela para fabricação de cocaína. Tanto a droga, quando o pesado armamento, chegam também pelas vielas tortuosas. Não há qualquer ação de inteligência para o controle desse acesso. A batalha acontece quando o varejista fez o seu castelo de resistência numa comunidade que foi abandonada pelo poder público. Como uma retomada de território e, consequentemente, com vítimas inocentes.

A mídia não compara essa operação com a paralisação das investigações sobre a apreensão de helicópteros e aviões que transportam drogas e fazem pousos em fazendas de políticos. Nem presta atenção na quantidade de pistas de pouso em cidades pequenas sem uso para aviação comercial. É apenas uma mídia-tatu que cava a notícia distorcendo uma guerra de controle das comunidades da periferia.

Feito um tatu, a mídia revira o território conquistado no rastro das forças de ocupação, fazendo o asfalto ter medo do inimigo que mora na favela.

Isso não é guerra às drogas, como anunciado, mas apenas um controle de terror de Estado que subjuga pretos, pardos e pobres da periferia das cidades. É que a mídia, feita um tatu cego, revira a notícia no seu incansável papel de fabricante de fatos que são mentiras!

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desenho: 1000TON

 

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