A “JUSTIÇA” DO ÓDIO

LojaRegina

Uma loira de sobrenome estrangeiro, uma dessas pessoas desejosas de pertencer a uma descendência imaginada como ariana superior, classe média cão-de-guarda da burguesia, moradora de um pedaço do sul do país com vontade de não fazer parte dessa nação, dessa gente que não gosta do povo que habita o Brasil, desse tipo de discurso fascista que saiu do armário, uma odienta que acha que ser de esquerda é uma patologia contagiosa, destilou um discurso de ódio, preconceito e racismo contra a Senadora pelo Piauí, Regina Sousa, pelas redes sociais. A Senadora foi chamada de anta, gentalha, semianalfabeta e cretina, entre adjetivos que espumavam ódio, preconceito e racismo.

Um medíocre apresentador de TV, que se considera comediante e tenta apresentar gags reprováveis, de gosto duvidoso, também ofende a Senadora em seu programa e mantém as ofensas nas redes sociais.

Solicitando à justiça apenas que os xingamentos desrespeitosos e depreciativos fossem tirados da internet, a senadora teve o seu pedido negado, primeiro em decisão monocrática do juiz Diaulas Costa Ribeiro e reafirmado pela 8ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, sob a alegação de “defesa de liberdade de expressão”.

Pois muito bem, em defesa da liberdade de expressão eu aqui proclamo que esses juízes ao concordarem que preconceitos racistas – tidos na legislação como crime inafiançável – apenas libertam sentimentos também fascistas cultivados em cada uma de vossas excrescências e colocam a justiça a favor da política do ódio que os alimentam também nesses tempos em que perdemos o contorno do que é justo, do conceito de justiça e da degeneração de costumes civilizatórios.

Declaro também minha solidariedade à indignação da Senadora, representante do meu estado natal, que de família humilde de quebradoras de coco babaçu, aproveitou a oportunidade de estudar para graduar-se em letras e exerceu a profissão nobre de professora, bancária, líder sindical, secretária de fazenda e senadora. Sua meteórica ascensão de gente do povo a representante máxima de sua gente deve ofender aos que nascem na casa grande e não toleram alguém da senzala na sua sala. E se lhe pudesse falar diria que é natural o ladrar odiento contra a sua posição de destaque que incomoda os cães-de-guarda do sistema. E que de juízes não se espere justiça, desde que a maioria deles assumiu a partidarização inadequada desses tempos em que a direita golpeou o país e que o judiciário dá sustentação ao golpe.

A Senadora pode ser vilipendiada em nome da “liberdade de expressão”, mas essa liberdade pode não permitir que se chame um golpista ladrão pelo nome. O que hoje se chama de justiça é apenas o comportamento de magistrados, ligados a elite deste país, que abusa da autoridade para proteger os poderosos.

O comportamento de um membro folclórico do STF – sem que seja incomodado por seus pares – mostra apenas que a justiça acabou. A Senadora é só mais uma vítima. Sem importância, nesse turbilhão de injustiça em que vivemos.

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desenho: Dino Alves

 

Um comentário em “A “JUSTIÇA” DO ÓDIO

  1. Ver e vivenciar tudo isso dá uma sensação de impotência e tanta estranheza…o facismo sempre teve enraizado e na primeira oportunidade ta se mostrando… justiça ta perdendo a força como tantas outras questões no nosso País…as pessoas parece que estão esperando o milagre de 2018, que pelo andar da Carruagem não vai chegar…que poder ilusório é esse que leva a tanto ódio, preconceito, cegueira!?

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