O EXTERMINADOR DO FUTURO DO SUS

 

CH-RICARDO BARROS (1)“Defendo que as pessoas possam acessar o que têm capacidade de pagar. Plano de saúde é contrato de consumidor com fornecedor (…) Não há por que querer regular o que a pessoa pode ou não querer e concordar em ter e pagar por isso. É mercado”.

Ricardo Barros

 

Num evento, denominado escandalosamente de “Saúde Pública e Saúde Suplementar – um Sistema Único”, estrategicamente nas dependências modernosas do Museu de Arte do Rio, numa mesa composta descaradamente também pelo representante do UnitedHealth Group Brasil – dona da Amil, Ricardo Barros disse com todas as letras ao que veio: exterminar o Sistema Único de Saúde, um dos maiores e ambiciosos planos de saúde inteiramente público do planeta.

A declaração de que a saúde é uma mercadoria e que as pessoas são livres para negociar no mercado o que podem pagar para ter é de um darwinismo social que revela a proposição fascista do ministro da saúde de um governo golpista. Golpe dado para que o processo civilizatório do país seja retardado para antes do século passado.

Mercado funciona assim: quem pode muito bem pagar, tem uma Ferrari comprada lá fora; quem pode bem pagar tem um automóvel top de linha feito aqui; a classe média um dia pode pagar uma suv e nas vacas magras um golzinho básico tentando trocar por um sedan; os pobres andam de moto, bicicleta ou trem; e os muito pobres andam a pé na locomoção do possível.

No mercado proposto pelo exterminador do SUS, quem pode muito bem pagar vai comprar saúde lá fora ou nos fantásticos planos de saúde de suas “excrescências”; a burguesia pode comprar os melhores planos de saúde oferecidos no mercado; a classe média, um dia tem Unimed, outro dia um simples plano da Amil sem cobertura das doenças mais graves. Aos pobres ele quer oferecer um plano “popular” ambulatorial para substituir a excelente saúde da família da atenção básica do SUS, que também atende os muito pobres. Esses então – sem o SUS – morrerão nas emergências superlotadas ou jamais chegarão ao sistema de saúde – morrendo à míngua nas comunidades ou pelas ruas.

A proposta de Ricardo Barros, atendendo os financiadores de sua eleição, é de uma perversão sem tamanho. Um animador de mercados brincando com o bem mais precioso da vida – a saúde humana. O ministro tenta organizar um ministério das doenças, onde a saúde é comprada por quem pode negociar no mercado as doenças que estão ao  alcance financeiro de cada um para serem tratadas. Isso é inominável. O Ministro da Doença tem a coragem de propor a exterminação dos mais carentes de forma cínica e fascista. Um genocídio dos que não interessam ao mercado. Decreta assim uma solução final: teremos uma população agonizando nas ruas expondo a crueza de um Estado comandado pelo Mercado.

Ninguém avisou a ele que é função do estado tentar amenizar as desigualdades, mesmo no mais predador estado capitalista? Pelo menos para parecer humano. Ricardo Barros não tem humanidade e nem parece ser. Assume o papel de um frio assassino que usa o seu ministério para retirar o mínimo de assistência devida ao cidadão.

Ricardo, sem coração, acaba de nomear João Salame, ex-prefeito de Marabá – cassado por improbidade e indiciado na delação da Odebrecht, sem nenhuma relação com a saúde pública, para Diretor do Departamento de Atenção Básica. O caricato Salame certamente foi colocado para fatiar entre os amigos verbas que salvam vidas nos programas de saúde da família, vacinação, medicamentos e vigilância sanitária entre outros. Parte da exterminação do Sistema Único de Saúde.

Uma situação na saúde inimaginável até pouco tempo atrás. Não estamos lidando com um estado capitalista apenas, mas com a destruição dos avanços civilizatórios. Isso é um pesadelo do qual queremos acordar e não estamos conseguindo. Talvez estejamos morrendo por apneia…

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desenho: Gervásio

 

 

6 comentários em “O EXTERMINADOR DO FUTURO DO SUS

  1. …Enquanto isso, em São Paulo, todos os serviços sociais criados ou mantidos na gestão do Hadad ( ex prefeito do PT) estão sendo desmantelados…e assim vamos…sem perspectivas, sem horizontes…
    Lelê

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  2. Excelente matéria. Vou repassar muito. Mas, peço uma correção. Aí onde vc chama o SUS de plano de saúde. A gente sente uma paulada na cabeça, e vc sabe, qdo chamam o SUS de plano.

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  3. mon cher,

    não é pesadelo, não. é uma realidad.

    nosso ministro da saúde é representante, para não dizer serviçal,

    dos grandes planos de saúde que, desde o indigesto dono da Doutor

    Eiras e outras menos famosas, Lionel Miranda, vem destruindo a saúde

    pública. No momento, digo neste momento “temerista” e neoliberais, será difícil

    conter este desmantelamento. lamento, mas nós estamos incrivelmente passivos.

    até mais,

    nacifelias

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  4. Muito inteligente essa reflexão sobre a verdadeira realidade dos nossos planos de saúde e o SUS. Uma política desrespeitosa e desumana. Sou profissional de saúde, e lamentavelmente, é a verdadeira a situação vivenciada por nós profissionais de saúde.

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