A (DI)VISÃO DAS ESQUERDAS E A CEGUEIRA DA DIREITA PARA O (falso) FIM DA POLÍTICA

visão divisão

  1. Milton de Farias, caricaturista que se assina 1000TON, mandou o desenho que ilustra a matéria e umas palavras, a título de colaboração:

“TIREI DA GAVETA UM POEMA VISUAL MEU, SERVIU DE INSPIRAÇÃO PARA O ARTIGO QUE SE SEGUE, MAS, SOSSEGO ELE NÃO ME DÁ:

Muito bem, então fica combinado assim:

O PT fica aí morgando em banho-maria, esperando ainda mais o desgaste do temerudo, imaginado que o Lula pode voltar como herói, consertando toda essa merda, na qual o país está mergulhado / a esquerda, que se diz mais esquerda, continua botando a culpa no PT pela letargia da luta / o PSOL fica batendo no PT e no Lula / o Lula e o PT ficam dando porrada no PSOL que, sozinho, não tem condições de se mexer / a CUT, cutqpariu, não tem gás sozinha pra mobilizar as massas pra um movimento geral de paralização, e por sua vez fica aguardando uma sinalização do PT / que por sua vez se esconde, dando uma de coitadinho / esse PT que tinha se “periferizado, se “desperiferizou” / e o PSOL permanece encastelado na zona sol, sal, céu, sul, entre universitários e funcionários públicos, talvez pelo status alcançado, claro, comparando-se com a geleia salarial brasileira, e não consegue se “periferizar” / o MTST, que teria condições de acontecer como uma verdadeira frente de esquerda, não deslancha, e assistimos perplexos à TV GLOBBELS OLDS passar os próximos capítulos / ‘A Salvação do Temerudo e a Mexida Funesta na Previdência’. /”

“DEPOIS DESSA REFORMA TRABALHISTA, URGE QUE HAJA A REVOLTA TRABALHISTA!” (Mairynk)

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  1. Para entender o esvaziamento das ruas pelos batedores de panelas de camisa amarela – tanto cobrado pela a esquerda – esse texto da internet talvez reflita o que pensa a maioria muda de direita:

 “O Brasil foi dividido entre cinco grandes quadrilhas nas últimas duas décadas[1].

“A maior e mais perigosa é a do PT. Era a mais estruturada, mais agressiva, mais eficiente e com planos de perpetuação no poder. Comandava a Petrobras, vários fundos de pensão e dividia o poder com as quadrilhas do PMDB nos bancos públicos. Sua maior aliada econômica foi a Odebrecht.

“O chefão supremo era o Lula. Palocci e Mantega, os operadores econômicos. Era o Comando Vermelho da política: pra se manter na presidência eram capazes de fazer o Diabo. Perdeu o poder de comandar o país com a queda de Dilma.

“A segunda maior é a do PMDB da Câmara. Seus principais chefões eram Temer e Eduardo Cunha. Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves eram os subchefes e Lúcio Funaro era o operador financeiro. Mandavam no FI-FGTS, em diretorias da Caixa Econômica, em fundos de pensão e no ministério da Agricultura. Por causa do controle desse último órgão, tinha tanta influência na JBS. Era o ADA dos políticos — ou seja, mais entranhada nos esquemas do poder tradicional e mais disposta a acordos e partilhas.

“A terceira é a do PMDB do Senado. Seu chefão é Renan Calheiros. Seu guru e presidente honorário, José Sarney. Edison Lobão, Jader Barbalho e Eunício Oliveira são outras figuras de proa. Mandava nas empresas da área de energia e tinha influência nos fundos de pensão e empreiteiras que atuavam no setor. Vivia às turras com a quadrilha do PMDB na Câmara, que era maior e mais organizada.

“A quarta é o PSDB paulista, cuja figura de maior expressão é o Serra. Tinha grande independência das quadrilhas de PT e PMDB porque o governo de São Paulo era terreno fértil em licitações e obras. A empresa mais próxima do grupo era a Andrade Gutierrez, mas também foi financiada por esquemas com Alstom e Odebrecht.

“A quinta e última é o PSDB de Minas — ou, para ser mas (sic) preciso, o PSDB do Aécio. Era uma quadrilha paroquial, com raio de ação mais restrito, mas ainda assim mandava em Furnas e usava a Cemig como operadora de esquemas nacionais, como o consórcio da hidrelétrica do Rio Madeira.

“Em torno dessas “big five” flutuavam bandos menores, mas nem por isso menos agressivos em sua rapinagem — como o PR, que dava as cartas no setor de Transportes, o PSD do Kassab, que influenciava ministérios poderosos como o das Cidades, o PP, que compartilhava a Petrobras com o PT, e o consórcio PRB-Igreja Universal, que tinha interesses na área de Esportes.

“Havia também os bandos estritamente regionais, que atuavam com maior ou menor grau de independência em relação aos nacionais. O PMDB do Rio e seu inacreditável comandante Sérgio Cabral, por exemplo, chegaram a ser mais poderosos que os grupos nacionais. Fernando Pimentel comandando uma subquadrilha petista em Minas. O PT baiano também tinha voo próprio. Elas se diferenciam das quadrilhas tucanas que estavam apenas circunstancialmente restritas aos territórios que comandavam mas sempre tiveram aspirações e influência nacionais.

“Por fim, vinham parlamentares e outros políticos do Centrão, que eram negociados de maneira transacional no varejo: uma emenda aqui, um caixa 2 ali, uma secretaria acolá…

“Digo tudo isso não para reduzir a importância do PT e o protagonismo do Lula nos crimes que foram cometidos contra o Brasil. Lula tem de ser preso e o PT tem que ser reduzido ao tamanho de um PSTU.

“Mas ninguém pode dizer que é contra a corrupção se tolerar as quadrilhas do PMDB ou do PSDB em nome da “estabilidade”, “das reformas” ou de qualquer outra tábua de salvação que esses bandidos jogam para si mesmos.

“E que ninguém superestime as rivalidades existentes entre esses cinco grandes grupos. Em nome da própria sobrevivência eles são capazes de qualquer tipo de acordo ou acomodação e farão de tudo para obstruir a Lava Jato.”

 

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O texto do Milton tenta avaliar desesperadamente a paralisia que acometeu as esquerdas e suas eternas preferências pelas brigas entre elas, devaneando a enorme dificuldade de união para enfrentar o inimigo. O texto está assinado e não reflete inteiramente a posição do blog, mas cutuca as arestas entre o campo. Nesse momento é melhor não tentarmos fazer um remendo na opinião do caro colega, para não esgarçar mais o tecido roto. Estamos em maus lençóis, embrulhados nos velhos tecidos já tão remendados de nossos erros.

Preocupa muito a segunda avaliação que parece refletir a opinião silenciosa dos paneleiros que deixaram as ruas: não há perdão para Lula e o PT – era o Comando Vermelho da política. O trocadilho é infame para associar a esquerda a bandidos sanguinários. Aqui pode ser enquadrado qualquer movimento de esquerda que chegue ao poder. Eles têm que ficar “do tamanho de um PSTU”. Mostra o medo da classe média com a esquerda num “inconsciente coletivo” que revela “arquétipos” adquiridos na história da política brasileira desde Getúlio. Parece um DNA udenista que se transmite a gerações futuras.

Mesmo tendo flertado com o golpe que colocou Temer no poder, atiçado pelo apelo midiático da Globo, condena o PMDB da Câmara e do Senado como quadrilhas que devem ser banidas do campo da política junto com Temer, como também a Globo já quer – não pela corrupção – mas pela ameaça do cara não conseguir completar as reformas.

No entanto, como é perigoso a vilanização da política, sobra para quadrilhas identificadas no PSDB também. E olha que nem falaram do DEM. Em continuidade ao medo da política, tão comum aos golpistas de sempre na história do país, temos a desqualificação da política, do parlamento, das eleições, da democracia. Não sobra pedra sobre pedra e por contágio – que tem nos políticos doentes incuráveis – parece um apelo a uma solução de força, que aqui tenho até medo de nominar. Reforçando, evidentemente, a figura de um justiceiro paladino contra a corrupção – não a justiça.

Para qualquer avanço no nosso deteriorado e impensável quadro político, não é só necessário um acordo para uma frente de esquerda como pede desesperadamente o cartunista 1000TON. Também precisamos de lideranças de centro-direita que possam desfazer esses “arquétipos” desejosos da volta de uma ditadura e possam construir outros caminhos para a política. Para que retornemos ao bom combate das ideologias no campo democrático.

Não sendo um analista político, mas apenas um palpiteiro que tenta entender o que acontece ouvindo o que ecoa nas ruas e nas redes sociais, espero desejosamente estar errado.

________________


[1]
Embora o texto tenha sido divulgado nas redes sociais sem indicação de autoria, na nossa pesquisa encontramos o que parece ser original no blog do paraibano Otávio Sá Leitão com o título de “O mapa da corrupção no Brasil” (http://www.otaviosaleitao.com.br/noticias/o-mapa-da-corrupcao-no-brasil-confira )

2 comentários em “A (DI)VISÃO DAS ESQUERDAS E A CEGUEIRA DA DIREITA PARA O (falso) FIM DA POLÍTICA

  1. Ótimo artigo, amigo Edmar, e agradeço a citação feita às minhas dramáticas inquietações com relação à atual conjuntura política brasileira.

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  2. mon cher,

    1000ton acertou em cheio. evidentemente, não concordo com tudo, mas 75% do que ele disse foi

    correto, claro e objetivo. precisamos sair desta letargia. como não sei. nossa esquerda não sabe se unir.

    o que nos salva é que os neoliberais, me parece, não estão se entendendo muito bem. as brigas internas

    do psdb poderiam favorecer essa união. a lava-jato como a vitória de temer no congresso está com os dias

    contados. o principal conseguiram: condenar o lula. em bre irá para uma prisão. e 2018 estará aberto para

    qualquer aventureiro. qualque semelhança com bruzundanga não é mera coincidência.

    bsbsbs,

    nacif elias

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