ADIAR AS ELEIÇÕES É MATAR DE VEZ A DEMOCRACIA OU O QUE NOS RESTA DELA

temergolperato

O diabo quando não vem manda o secretário, dizia um antigo forró do Jackson. O golpe acaba de ser secretariado pelo presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo – o menino problema do César Maia – no intuito de prorrogar o tempo do golpe parlamentar e se possa introduzir todas as maldades do capital, se o povo não for às ruas brigar pra valer.

Para entendimento do ocorrido: havia uma proposta de emenda à Constituição esquecida nas gavetas da câmara desde 2003. Assinada por Marcelo Castro (PMDB-PI, ex-ministro da saúde de Dilma) e outros deputados a emenda propunha a coincidência das eleições para que não tivéssemos eleições de dois em dois anos. Justa de início, serve hoje ao golpe. Desenterrada ontem pelo menino Maia, hoje já aparece a proposta de formação de comissão para examinar a peça de emenda. Mesmo quando elas são desenterradas, por algum motivo interesseiro, o tempo de formar uma comissão às vezes demora tanto, que nem compensa e ela volta ao limbo. Por que o menino se avexou na urgência? O motivo só pode ser retardar a eleição do ano que vem, onde a direita não tem candidato e o Lula cresce nas pesquisas, tanto quanto apanha.

Existem, pelo menos, três precedentes golpistas desse naipe que nos assombra com o fantasma de mais um golpe dentro do golpe. Lá ainda na ditadura, uma emenda constitucional aumentou o mandato de senadores biônicos (não eleitos pelo voto) para que a ditadura demorasse mais no controle do congresso. Depois, já na eleição indireta que caiu no colo do Sarney, assistimos, na prorrogação do mandado da criatura de Curupu, um claro golpe constitucional. FHC, com a uma escandalosa compra de votos, instituiu um segundo mandato ferindo de novo a constituição. Por que agora não seria possível?

Essa gente não tem limite. O apetite do capital não tem fim. E esse congresso já provou que não tem qualquer vínculo com o voto dos cidadãos desse país, respondendo apenas aos interesses dos financiadores de campanha, os donos do capital.

A consumação deste ato imoral rasga de vez a constituição, não existindo mais quaisquer resquícios de um estado de direito. O que parecia ser um hiato golpista, com nossas esperanças depositadas na eleição do ano que vem, pode ser prorrogado de forma cruel, perversa e autoritária. Os defensores do capital ganham qualquer proposta nessa pseudodemocracia.

Os mais frágeis já começam a sofrer o prenúncio deste pesadelo: a chacina dos índios, a agressão aos moradores de rua, os problemas de saúde pública voltando a ser caso de polícia nas cenas de uso das chamadas cracolândias, a volta do hospício para os loucos.

A minha alucinação é suportar o dia-a-dia, e o meu delírio é a experiência com coisas reais” cantou Belchior, que foi embora nos deixando no mesmo mundo em que viveram nossos pais.

 

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desenho: Latuff

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