O DONO DO BRASIL

Uma organização poderosa, nascida no seio da ditadura militar na Bahia, sequestrou a democracia brasileira com graves consequências. Ouvi o depoimento de Emílio Odebrecht, colhido em dezembro passado e só agora vazado na internet. Coisas que suspeitávamos existir, nesta etapa do capitalismo, foram reveladas por Emílio de forma crua, clara, às vezes cínica – carregada até de um certo orgulho de ser o dono do país.

Ao longo do depoimento, colhido em alguns dias, o depoente vai ficando à vontade para revelar como manipulava os governantes do Estado brasileiro, o acesso que tinha a reuniões ministeriais, ao palácio do Alvorada, negociando os interesses de sua organização que, em alguns momentos, se confundiam com os interesses do Estado, por afinidades ideológicas, propinas e chantagens. A intimidade com que controlava o Estado brasileiro vai sendo vivida como natural, desde sempre. Sabe que controla a política desde a ditadura militar (era íntimo do Generais Golberi, Geisel) como na democracia que ele sequestrou, comprando os rumos e o destino da nação (fala de FHC, Lula como se fossem agentes plantados de sua organização).

Há momentos que fica indignado com a hipocrisia da imprensa, que sempre soube do que acontecia e acobertava, por interesses próprio; ou de políticos que se fazem de puros, afirmando que sempre existiu o caixa dois para enriquecimento próprio ou compra de medidas provisórias e leis que favoreceram os diversos ramos de sua organização (construção e engenharia, químico e petroquímico, saneamento, energia). Uma organização que parece ser maior que a estrutura do Estado brasileiro. Uma organização criminosa que opera os destinos do país.

Tem um certo orgulho de como financiou a eleição de um presidente, ou como entra de supetão na sala de outro e o faz recuar numa proposta estatizante que prejudicaria um braço da organização.

Por certo só ficamos sabendo dessa promiscuidade repulsiva, nojosa e hedionda, porquanto o depoente é um pai que quer a liberdade do filho. Não estaríamos a par desse mar de lama – mais asqueroso da pior situação que poderíamos imaginar – não fosse a disposição paterna de tirar o filho da forca. Mas o pior de tudo é não sabermos o que será feito a a partir dessa delação. Sabemos que a organização criminosa sequestrou a nossa democracia. Sabemos que o país tinha um dono que determinava o seu destino. Mas teremos forças de organizarmos uma saída viável para momento tão absurdo?

Não me parece que estamos diante de uma situação entre esquerda e direita. É preciso uma união nacional para tornar o país viável. Ou entraremos no caos inescrutável.

 

2 comentários em “O DONO DO BRASIL

  1. Precisamos deixar de lado nossas diferenças nesse momento. Direita e esquerda são questões pequenas nesse instante.Realmente ou a gente se une ou vamos todos pro buraco.

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  2. O Brasil não é um país, é uma aberração. Dotado de dimensões continentais nunca fez uma reforma agrária quando muitos países pequenos em todo o mundo fez isso. Último país das Américas a libertar seus escravos, mandou-os com uma mão na frente e outra atrás para o olho da rua. Onde eles foram parar? Nas favelas e estão lá até hoje. E os proprietários de escravos ficaram putos com o governo imperial por não tê-los indenizados, afinal eles compraram os escravos. A elite brasileira nunca quis fazer um pacto social tipo ganha-ganha que emancipasse o povo brasileiro. Para a classe dominante brasileira, o povo brasileiro á apenas bucha de canhão. Então o Brasil que temos hoje é um país que detém a segunda maior frota de aviões particulares do mundo. É o país que têm o maior numero de carros blindados do mundo. É o terceiro país que mais prende gente no mundo. E o país que mais mata gente no mundo por arma de fogo. E agora ficamos sabendo que somos um país governado pela corrupção. PACTO SOCIAL a hora é essa. Vamos construir um país que seja bom para todos. Um país que ofereça oportunidades a todos. Um país sem miseráveis dormindo na rua. A alternativa é ou PACTO SOCIAL ou se abrem as portas do inferno. Nesse caso a elite se fode e o povo sai ganhando, apesar de muitas mortes.

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