APARTANDO BRIGA AOS TABEFES

 

Trump
desenho: Gervásio

O mundo endoidou de vez. Além de todo conservadorismo ressuscitado, que revolve as entranhas de quem foi libertado das amarras passadistas ainda no século passado, assistimos agora o renascer da guerra fria, em que o medo da bomba atômica destruir a humanidade nos assustava.

Trump, o doidão do topete vermelho, apertou o botão do ataque à Síria. Sem passar pelo congresso. O que não precisava, pois teve o apoio da maioria republicana e democrata, após a decisão solitária. Também os Clinton aprovaram o que me parece uma imprudência, além da maioria das declarações de americanos e dos governos europeus. Ainda teve quem condenasse o “banana” do Obama por não ter feito o mesmo antes e fosse culpado pelo novo ataque com gás sarin, o que ainda nem foi provado.

Um amigo meu, piauiense, usando nosso dialeto e a lógica nordestina, me dizia que jogar bomba na guerra da Síria seria o mesmo que apartar briga aos tabefes. No que concordo.

A Rússia, doida para assumir o seu papel na partilha do mundo que já teve no passado, mandou avisar aos americanos que fica revogado o trato de cavalheiros para evitar acertar aviões uns dos outros nos céus. Recomeça a peleja do “bem” contra o “mau” dos desafios de uma viola nordestina. Só que no caso aqui me parece a peleja do mau com o coisa ruim, pois não há mais lugar para, mesmo que seja, o fingimento de heróis do passado. Nem a Rússia é mais comunista, então não tem mais os comedores de criancinhas na jogada. Apenas o capitalismo no seu desespero, que só consegue sair da crise usando o velho método colonial das invasões e fazendo uma guerra para equilibrar a hegemonia, matando alguns sobrantes, de acordo com seu desumano código de ética.

É triste lemos os comentaristas políticos deste episódio. Justificam a performance política dos contentores, pouco importando as vítimas de um lado e do outro.

E a população civil da Síria sofre a insanidade da guerra entre grupos rebeldes, remanescente da primavera árabe; tropas fiéis a Assad; e o famigerado Estado Islâmico. De fora os russos dão apoio ao governo instituído contra rebeldes e o EI. Os EEUU entram na guerra do lado dos rebeldes e por tabela defendem o Estado Islâmico, terroristas que o Trump tinha eleito como inimigo. Os sírios viram a primavera transformar-se no inferno. As vítimas da insanidade são proibidas de fugir pela perseguição que a Europa e os EEUU fazem aos migrantes.

Que o profeta proteja os muçulmanos. Que Jesus não deixe os cristãos serem crucificados nessa guerra. Que Alá e o Deus de Israel deixem de brigar para que o conflito não se estenda numa guerra sem controle. Que o deus dos ateus possa trazer a razão em benefício da humanidade. Porque em nome de Deus se faz a guerra.

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(dedico esse texto ao Paulo Tabatinga, que me ofertou o mote)

Um comentário em “APARTANDO BRIGA AOS TABEFES

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