ENCHENDO LINGUIÇA

O alemão Bismarck há muito tempo alertou que se soubéssemos como são feitas as linguiças e as leis não comeríamos umas, nem obedeceríamos às outras. Para os embutidos vão as sobras improváveis da proteína animal; para o legislativo, os fazedores das leis que obedecem à lobbies e passam muito longe do interesse da sociedade.

De fato, há um ataque ao capitalismo que aqui se desenvolveu por conta de incentivos governamentais de uma política de conciliação de classes. Primeiro foi desmontada a Petrobrás, depois as grandes empreiteiras e agora a exportação de carnes. Não da carne “in natura”, que terá continuidade, mas a carne com o valor agregado do corte e da embalagem. Como foi feito com o café brasileiro. As cápsulas das máquinas de café holandês contêm o nosso café, com um imenso valor agregado da esperta embalagem protegida por patente das máquinas, que também importamos. Nessa linha o assunto tem infindáveis desdobramentos.

Mas é uma imensa bobagem a teoria da conspiração de que o Cerveró et catervas, políticos corruptos e o agregado valor dos fiscais sanitários de agora sejam agentes da CIA que foram treinados para desmontar o bom capital nacional contra o capital internacional. O capital não tem nacionalidade. A “livre concorrência” é uma expressão eufêmica para a guerra sem escrúpulos em que para a sobrevivência do mais forte é inevitável a morte da concorrência. Lei da selva capitalista. Alguns países tentam regular a “livre concorrência” com leis que punem o monopólio ou oligopólios deletérios. O Estado capitalista cuida, com suas leis, para que o capitalismo não se coma pelo rabo.

O problema que está acontecendo é que a própria indústria, que chamamos inapropriadamente de nacional, ficou livre para seguir sem freios o primeiro mandamento capitalista: buscar o maior lucro possível usando todos os meios disponíveis, inclusive os mais condenáveis e nocivos que sejam. E o nosso Estado capitalista foi (e continua sendo pior ainda) incapaz de aplicar as leis que protegem e regulam o desenvolvimento desse capitalismo. Não fossem os agentes da lei fazer vistas grossas para que o papelão fosse usado na carne moída ou os embutidos contivessem toda a porcaria regular acrescida de carne vencida em troca de enchimento das burras corruptas, não teríamos o escândalo do dia.

E muito estranho ver parte da esquerda defender a corrupção para tentar salvar um capitalismo nacional. Não existe essa vertente. Ele correrá aos braços do “inimigo” se para isso seu lucro aumentar. É de sua natureza. Também os braços que poderiam abrigar a salvação do capital nacional podem matá-lo, em nome da livre concorrência, como parece está acontecendo. Também é da sua natureza. Em briga de cachorro grande não cabe opinião de quem defende uma sociedade sem cachorros.

Não é possível defender quem encheu a linguiça de corrupção, nem os que fazem as leis para da punição escapar. O caixa dois tem carne podre no embutido, papelão na carne moída e carne estragada no açougue.

Só a política de conciliação de classes defende linguiça podre e caixa dois “do bem”. E ela nos levou aonde chegamos.

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