ESCANCAROU-SE O GOLPE

Durante os protestos que tomou as cidades contra a Reforma da Previdência, Gilmar Mendes recebia José Serra que comemorava aniversário e os membros do governo usurpador. Enquanto membro do Supremo Tribunal Federal, confraternizava com futuros réus que terá que julgar. Enquanto presidente do Tribunal Superior Eleitoral recebia o réu num processo de cassação de mandato com toda pompa e liturgia que o cargo ilegítimo quer para si. Escancarou-se a imoralidade do golpe.

Todo o Executivo foi tomado por golpistas com o apoio do Judiciário e referendado pelo parlamento. O Executivo tem pressa em preparar medidas neoliberais, onde os direitos sociais estão sendo retirados com o objetivo de aumentar a mais-valia das empresas e encher a burra dos rentistas já que a crise mundial nos bate à porta. O parlamento vem aprovando essas medidas em toque de caixa, sem que a oposição esboce qualquer reação. Na crise salvemos os anéis dos poderosos e cortemos os dedos que quem não os possui.

A revolta nas ruas é escondida deliberadamente por uma mídia que apoiou o golpe e o estado policial reprime os manifestantes de forma cruenta com gás lacrimogênio, spray de pimenta e balas de borracha. Os parlamentares são surdos às vozes das ruas, porque também foi escancarado que eles foram eleitos pelos financiadores de campanha – usando o dinheiro público apropriado como propina – e não pelos votos dos seus eleitores, que já esqueceram em quem votou na última eleição.

Vivemos uma farsa de que o estado é democrático e o papel da oposição tem servido apenas para alimentar essa ilusão, já que não tem a mínima condição de mexer no script neoliberal oferecido por quem manipula o mercado. O conceito de mercado, como um conjunto de forças que negociam livremente, é deliberadamente enganoso para esconder os prestidigitadores que o faz funcionar segundo seus interesses. A solução, pela direita, para enfrentar uma crise sempre foi fazer com que os trabalhadores pagassem o pato. A FIESP botou o pato na rua para derrubar o inábil governo de coalizão que estava dificultando o pleno desenvolvimento das ideias neoliberais. Os camisas amarelas se prestaram a esse papel, sem imaginar que eles mesmos pagariam parte do pato.

E nesse cenário, ninguém melhor do que Gilmar Mendes – que, como um leão de chácara, defende os interesses da elite deste país – para escancarar numa confraternização dos poderes que representa com os golpistas. Outra vez um capacho dos poderosos mandou às favas todos os escrúpulos e anunciou que a suruba está apenas começando.

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