O SUJO FALANDO DO MAL LAVADO

Ouvi, com a maior paciência, o pedido de desculpa do Chico Alencar. De positivo, ele assume que errou. Ele – filho de nordestino – foi quem não ouviu um ditado corrente no sertão: “quem se junta aos porcos, farelo come”. O Noblat não merecia tamanha reverência na comemoração de cinquenta anos de jornalismo, até porque ele não é. Trata-se apenas de um porta voz dos patrões e da elite deste país. Um Merval, como tantos Camarottis e Leitões que desfiguraram o jornalismo tupiniquim. E, como mesmo o Alencar confessa, em tendo ido e visto os porcos que chafurdavam na lama com as pérolas da corrupção, deveria ter reconhecido o erro e ter ido embora, antes ter participado da suruba sem comer ninguém – como ele também confessa – mas manchado a cueca de um batom ordinário.

É bom que ele diga que foi um erro, como não fizeram os petistas com sua gente emporcalhada num chiqueiro que desmoralizou a esquerda, mas que cobra e goza com o erro do Chico, sem olhar o próprio rabo. A autocrítica é muito mais importante e nobre do que apontar o erro do outro para querer perdoar o seu. Certos petistas não diferem do Jucá: se é suruba, é pra todo mundo. E assim querem, que além da cueca suja, Chico Alencar tenha perdido também a virgindade na esculhambação da política brasileira.

Mas o que está deveras chato, repetitivo, querelante, improdutivo e apenas ajuda a desatar a necessária união para combater a direita – que tomou de assalto o poder – é a ladainha do “sujo falando do mal lavado”, como se diz também na minha terra, entre nós. Os psolistas e petistas travam uma desnecessária batalha entre si antes de combater o inimigo comum.

Cada qual que cuide dos seus erros. Não estamos no momento de medir forças entre as forças democráticas, que nem precisam serem de esquerda. O que está em jogo é o próprio processo civilizatório, com disse Adréa Ramanholi por aqui. O poder – que não permite vácuo – foi ocupado por medíocres, reacionários e conservadores que pretendem levar o país de volta ao passado de forma acachapante e irreversível. Precisamos de uma frente democrática para combater a misoginia, o patrimonialismo, a homofobia, ideias escravagistas e fascistas, que são bandeiras deste desgoverno golpista, usurpador e ilegítimo.

O que menos interessa, nesse momento, é se o erro maior foi apertar a mão do Maluf ou beijar a mão do Aécio. O erro maior é empurrar todo mundo para a mesma suruba. Precisamos mesmo até dos que estiveram lá e não querem mais participar.

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