Habib’s

TENTANDO ESCLARECER AS NOTÍCIAS QUE DÃO CONTA DE QUE O LAUDO CADAVÉRICO REVELA QUE A MORTE DE JOÃO VITOR ACONTECEU POR INFARTO + USO DE DROGAS. PORTANTO, SERIAM INOCENTES OS AGRESSORES DO HABIB’S.

Sob o efeito de cola (é a droga mais perigosa que esses meninos usam), uma situação de pânico, agressão, cárcere, agitação de defesa e outras tantas podem desencadear um infarto. Entretanto o vídeo não deixa dúvidas como o garoto foi tratado. Primeiro correndo, perseguido. Depois retorna em aparente desmaio, seguro pelas mãos como um fardo, calça arriada aos pés e jogado feito um saco de batatas junto a sarjeta. Uma testemunha diz que ele estava espumando. Mesmo que o laudo esteja certo e tenha sido um infarto, as condições precipitantes e a falta de socorro (que era necessário) caracterizam o homicídio. Os advogados que briguem entre o dolo ou culpa. O que acontece com a medicina de hoje é que ela se baseia apenas na clínica da evidência (que é importante), mas esquece da clínica da narrativa, que – na grande maioria dos casos – é determinante para causar a evidência. Quantas vezes se vai a uma consulta e o médico não pergunta sequer a sua profissão? A profissão faz parte da narrativa e pode determinar uma clínica evidente (exemplo: falta de ar pode ser explicada por trabalhador em fábrica de amianto + silicose; perda visual – serralheiro e falta de uso de máscara. E por aí vai). O canalha do Henry Shibata, de triste memória da ditadura, pode ter visto alguns infartos reais, mas a situação que ele não queria ver pode os ter provocado. E são incontáveis os médicos que assinam atestado de óbito tendo como causa mortis uma “parada cardíaca”. Ora, na morte o coração para. A patologia forense pressupõe uma investigação “sherlokeana” para apontar as causas (geralmente são plurais) de uma morte suspeita. Não foi o que fez o médico que assinou o laudo. Se ateve apenas na evidência clínica. A narrativa do caso apontam para assassinato, mesmo que o infarto seja evidente.

O poeta é quem tem razão: “leve o boi e o homem ao matadouro / o que berrar é o homem, mesmo que seja o boi”.

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