encontro desnecessário

(edmar oliveira)

 

O Prêmio Camões de Literatura, instituído em 1988, visa consagrar um autor, que pelo conjunto da obra tenha contribuído para o enriquecimento da língua portuguesa.  Já foram consagrados autores portugueses, angolanos, moçambicanos, cabo-verdiano e brasileiros, entre os países que falam o português. O prêmio foi criado pela Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas / Secretaria de Estado da Cultura (Portugal) e pela Fundação Biblioteca Nacional subordinada ao Ministério da Cultura (Brasil). Raduan Nassar foi premiado no ano passado – ainda no governo Dilma – e foi eleito por uma comissão julgadora de consagrados literatos brasileiros, portugueses e dos países africanos de língua portuguesa.

 

Esse preâmbulo é necessário para tornar ridícula e extemporânea a fala do Ministro da Cultura do “governo em exercício”, como anunciou no seu discurso o autor premiado. Acometido por vaias pelos absurdos que falava na defesa do seu governo – até desnecessariamente – tornou-se apoplético para dizer que o premiado, apesar das críticas ao seu (des) governo, tinha aceitado o prêmio, como se as críticas de Raduan (legítimas e sinceras) não autorizasse ao premiado receber a sua comenda. Portanto, o senhor Roberto Freire ignorava como se merecia o Prêmio Camões. O seu governo não outorgou prêmio algum ao escritor, mas apenas participou de sua entrega desnecessariamente – se o comunista arrependido tivesse algum “simancol”, pela patética situação que ele provocou.

 

O senhor Roberto Freire construiu uma das piores biografias como uma figura pública. Costumo dizer que um comunista arrependido tem um comportamento pior que um alcóolatra que se diz anônimo para culpar o álcool pelos defeitos de quem bebe. Se na casa do ex-alcóolatra o álcool não entra, os filhos não podem tomar uma cerveja, ele evita o primeiro gole como o diabo evita a cruz; o ex-comunista renega até a cor vermelha, tem ódio dos companheiros de antigamente, torna-se uma pessoa mais à direita do que seus inimigos de antes.

 

E no caso desse triste ex-comunista parece um ser movido pela a inveja, não percebendo que  sua carreira de homem público escorre nos bueiros da imundice quando aceita participar de um governo corrupto e ser nomeado para um um ministério que ele – enquanto deputado – votou pela sua extinção. Isso sem precisar nem olhar mais para trás e ver as incoerências e absurdos numa biografia malcheirosa (desde aceitar um cargo na ditadura até se opor a Lula e Brizola almejando a presidência da República por um partido que negava o Partido Comunista e se tornou linha auxiliar da direita).

 

Roberto Freire é um ser abjeto, um nada. Raduan Nassar um intelectual premiado, um ser especial e iluminado num país que não costuma reconhecer os talentos que tem de sobra e premia a mediocridade de sempre. O encontro dessa antítese no Prêmio Camões faz a grandeza de Nassar e revela a mesquinhez da nulidade de um Freire que caminha para o anonimato da história.

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